O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, passou a integrar uma investigação da Polícia Federal que apura a suposta concessão de vantagens por parte de Augusto Ferreira Lima, gestor associado ao Banco Master. Entre os fatos analisados estão a entrega de ingressos para um show nos Estados Unidos, a utilização de aeronaves privadas e negociações relacionadas à aquisição de um imóvel de alto padrão na capital baiana.
Ingressos para show nos Estados Unidos
De acordo com informações reunidas pela Polícia Federal, mensagens encontradas no celular de Augusto Ferreira Lima mostram uma conversa entre ele e o senador em novembro de 2023. Na ocasião, Wagner questionou sobre ingressos para um evento musical realizado em Los Angeles, marcado para o dia 25 daquele mês.
Inicialmente, três entradas teriam sido disponibilizadas, mas o parlamentar solicitou o aumento da quantidade para cinco ingressos. Os bilhetes, avaliados em R$ 63,3 mil, foram adquiridos pela empresa REAG Investimentos S.A. Segundo a investigação, as entradas foram destinadas a familiares do senador. Não há confirmação se Wagner participou do evento.
Uso de aeronaves particulares
A apuração também aponta que Augusto Ferreira Lima teria colocado sua aeronave privada à disposição do senador e de familiares para uma viagem entre Salvador e a Ilha da Paixão, propriedade do banqueiro ligado ao Banco Master.
Os investigadores afirmam que o uso de jatos particulares não teria ocorrido apenas uma vez. Registros analisados indicam outras situações em que o senador buscou contato com pilotos vinculados ao empresário para realizar deslocamentos, incluindo viagens ao Rio de Janeiro.
Negociação de apartamento de luxo
Outro ponto investigado envolve um apartamento de alto padrão avaliado em R$ 2,45 milhões, localizado em Salvador. Segundo a Polícia Federal, Wagner teria encaminhado ao empresário informações detalhadas do imóvel, que posteriormente mobilizou outras pessoas para conduzir a negociação.
A suspeita dos investigadores é que o imóvel possa ter sido registrado em nome de terceiros com o objetivo de ocultar o verdadeiro beneficiário da propriedade. A hipótese ainda integra o conjunto de diligências em andamento.
O que diz a Polícia Federal
No relatório produzido pelos investigadores, a relação entre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima é descrita como antiga e baseada em elevado grau de confiança pessoal. Para a Polícia Federal, esse vínculo teria criado condições favoráveis para tratativas reservadas relacionadas a interesses privados ligados ao Banco Master.
O material analisado inclui mensagens de texto, gravações de áudio, registros telefônicos, contratos, movimentações bancárias, documentos empresariais, planilhas financeiras e dados extraídos de aparelhos celulares apreendidos durante etapas anteriores da Operação Compliance Zero.
Defesa e desdobramentos
Em manifestação sobre o caso, a defesa de Augusto Ferreira Lima afirmou que o empresário sempre atuou de forma legal, observando as normas aplicáveis ao sistema financeiro e à administração pública.
Até o momento da divulgação das informações, a equipe do senador Jaques Wagner não havia se pronunciado sobre as conclusões apresentadas pela investigação.
O senador e o gestor foram alvos da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira.
A investigação segue em andamento e busca esclarecer a natureza da relação entre o senador Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima, além de verificar se os benefícios identificados pelos investigadores configuram irregularidades. O caso integra uma das frentes da Operação Compliance Zero, que continua analisando documentos, mensagens e movimentações relacionadas aos envolvidos.