Meses antes de se tornar um dos investigados na Operação Compliance Zero, o ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, teve valores expressivos bloqueados por decisão da Justiça de São Paulo. A medida ocorreu no contexto de uma disputa judicial envolvendo a venda do Banco Voiter e antecedeu as ações mais recentes da Polícia Federal e do Banco Central sobre instituições do mercado financeiro.
O bloqueio judicial foi determinado em 29 de abril de 2025, no âmbito de uma ação de execução de dívida movida pela família que controlava o Banco Voiter, vendido ao Banco Master em 2024. Os ex-proprietários solicitaram uma liminar para restringir bens dos executivos do Master até o limite do valor original da dívida, estimado em R$ 470,5 milhões.
A decisão partiu da 22ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que autorizou a restrição de recursos encontrados em nome de Augusto Lima. Embora o bloqueio tenha permanecido em vigor por apenas oito dias, devido à celebração de um primeiro acordo entre as partes, os documentos judiciais revelaram a dimensão do patrimônio localizado naquele momento.
A maior parte dos valores estava concentrada na Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., onde foram identificados aproximadamente R$ 112,8 milhões. Também foram localizados recursos em outras instituições financeiras, incluindo Bradesco, Santander, Banco do Brasil, Banco Master e Pluxee IP, em montantes significativamente menores.
A Reag Investimentos, responsável pela Reag Trust DTVM, ganhou notoriedade nos últimos anos no mercado financeiro da Faria Lima, em São Paulo. Entre 2020 e 2025, o volume de recursos sob sua gestão saltou de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões, multiplicando-se quase 14 vezes no período. No entanto, esse crescimento passou a ser analisado sob uma nova perspectiva após o avanço de investigações da Polícia Federal que relacionam atividades financeiras à atuação da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
No desdobramento da Operação Compliance Zero, o fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, tornou-se alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). A ofensiva também alcançou o empresário Nelson Tanure, conhecido por investir em companhias em dificuldades financeiras.
Paralelamente, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Reag, alegando a existência de graves infrações às normas que regem o Sistema Financeiro Nacional.
O bloqueio judicial dos bens de Augusto Lima, ocorrido meses antes da Operação Compliance Zero, evidencia que os desdobramentos envolvendo o Banco Master e a Reag Trust já vinham sendo acompanhados pelo Judiciário e por órgãos reguladores. As investigações e medidas adotadas posteriormente pela Polícia Federal, pelo STF e pelo Banco Central ampliaram o alcance do caso, que segue cercado de repercussões no setor financeiro. Procurada, a defesa de Augusto Lima informou que não irá se manifestar.