A tensão entre Estados Unidos e Irã voltou a subir neste domingo (5), após declarações do presidente americano Donald Trump sobre possíveis ataques à infraestrutura iraniana. A ameaça foi condicionada à liberação do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, respondeu de forma dura às declarações de Trump, afirmando que ações consideradas imprudentes podem provocar consequências graves não apenas para os Estados Unidos, mas para toda a região do Oriente Médio. Em publicação nas redes sociais, ele acusou o líder americano de seguir interesses externos e advertiu sobre o risco de escalada do conflito.
Mais cedo, Trump havia usado sua plataforma digital para ameaçar diretamente o Irã, mencionando a possibilidade de destruir estruturas como pontes e usinas elétricas caso o estreito não fosse reaberto até terça-feira (7). A linguagem utilizada pelo presidente foi considerada agressiva e gerou reação imediata de autoridades iranianas.
Qalibaf rebateu dizendo que medidas baseadas em confronto e violência não trariam ganhos para Washington, defendendo que o único caminho viável seria o respeito aos direitos do povo iraniano e o fim das ações hostis.
Outro nome influente no cenário político iraniano, Ali Akbar Velayati, assessor do líder supremo e ex-chanceler do país, ampliou o tom de alerta. Segundo ele, grupos aliados do Irã — presentes em países como Líbano, Iraque e Iêmen — poderiam agir em pontos estratégicos do comércio internacional, como o Estreito de Bab Al-Mandeb, no Mar Vermelho. Essa rota é responsável por uma parcela significativa do fluxo global de mercadorias e energia.
Velayati destacou que qualquer nova ação por parte da Casa Branca poderia desencadear impactos diretos no abastecimento de petróleo e no comércio mundial, sugerindo que interrupções podem ocorrer rapidamente em resposta a decisões consideradas equivocadas.
Já o porta-voz da presidência iraniana, Seyyed Mohammad Mehdi Tabatabaei, afirmou que a reabertura do Estreito de Ormuz depende de compensações financeiras. Segundo ele, o país exige participação nas receitas geradas pelo tráfego marítimo como forma de reparar danos provocados por conflitos recentes.
No campo militar, o comandante da Força Quds, Esmail Qaani, indicou que novas ações podem estar a caminho. Ele mencionou uma operação recente envolvendo o resgate de um piloto americano, cujo avião foi abatido em território iraniano. De acordo com autoridades do país, a ação teria resultado também na destruição de aeronaves e helicópteros dos Estados Unidos, mesmo com o sucesso no resgate do militar.
O cenário atual aponta para um aumento significativo das tensões entre Irã e Estados Unidos, com riscos que ultrapassam o campo militar e podem afetar diretamente o comércio global de petróleo. As ameaças, respostas e possíveis retaliações colocam rotas estratégicas sob ameaça e reforçam a preocupação internacional com a estabilidade no Oriente Médio.