Um imóvel de alto padrão localizado em uma das áreas mais valorizadas de Miami, nos Estados Unidos, está no centro das atenções após ser relacionado à família de Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). A propriedade está registrada em nome de uma empresa offshore com sede na Flórida e levanta questões sobre possíveis implicações legais, especialmente diante do recente endurecimento das sanções aplicadas pelos EUA contra membros da Corte brasileira.
Apartamento milionário em Miami vinculado à família Barroso
A luxuosa unidade, situada em frente ao mar na ilha de Key Biscayne, possui 158 metros quadrados e tem valor estimado em aproximadamente US$ 4,1 milhões (mais de R$ 20 milhões, na cotação atual). O imóvel pertence atualmente à empresa Telube Florida LLC, uma offshore registrada em território americano. O nome da empresa é composto pelas iniciais dos membros da família: Teresa, Luna e Bernardo.
Segundo registros públicos do Condado de Miami-Dade, o advogado Bernardo Van Brussel Barroso, filho do ministro Barroso, aparece como o atual titular da Telube. A compra do apartamento ocorreu em março de 2014, pouco depois de Barroso assumir sua cadeira no STF. À época, a aquisição foi realizada por sua esposa, Teresa Cristina Van Brussel, falecida em 2023. Antes disso, a unidade pertencia ao empresário argentino Eduardo Constantini.
Sanções dos EUA e possíveis impactos sobre o imóvel
As atenções sobre bens no exterior vinculados a ministros do STF aumentaram após os Estados Unidos aplicarem sanções ao ministro Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky. A legislação, criada em 2012, permite a punição de autoridades estrangeiras acusadas de violar direitos humanos, com medidas como congelamento de bens, cancelamento de vistos e restrições financeiras.
Especialistas apontam que, em casos de suspeita de ocultação patrimonial, a Lei Magnitsky pode atingir ativos mantidos por familiares ou empresas associadas, como é o caso de offshores. Com isso, o apartamento vinculado à família de Barroso poderia se tornar alvo de medidas restritivas, como bloqueio para venda ou transferência — ainda que o uso da propriedade não seja imediatamente impedido.
Até o momento, oito ministros do STF tiveram seus vistos para os Estados Unidos revogados. Além de Moraes e Barroso, também foram atingidos Edson Fachin, Cármen Lúcia, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. O movimento indica uma ampliação do cerco contra magistrados brasileiros acusados de violações a garantias individuais.
O envolvimento de familiares de autoridades brasileiras com empresas offshore e propriedades no exterior, ainda que legal, ganha novos contornos diante das sanções internacionais. A ampliação da aplicação da Lei Magnitsky reforça a vigilância global sobre práticas de governança, transparência e proteção aos direitos humanos — inclusive no Judiciário brasileiro. O caso da família Barroso pode ser apenas o começo de um escrutínio mais intenso.