O nome de Filipe Martins, ex-assessor internacional do ex-presidente Jair Bolsonaro, voltou a surgir no sistema de imigração dos Estados Unidos com um registro considerado fraudulento pela equipe de advogados que o representa. A revelação foi feita durante o programa Oeste Sem Filtro, transmitido nesta quinta-feira (17) no canal da Revista Oeste no YouTube.
A jornalista e âncora do programa, Paula Leal, destacou a gravidade da situação e pediu à comentarista Ana Paula Henkel, que vive na Flórida, uma análise detalhada sobre os documentos exibidos. Os arquivos comparam dois registros de entrada de Filipe Martins nos EUA: um legítimo, datado de 18 de setembro de 2022, e outro com informações incorretas, atribuído ao dia 30 de dezembro de 2022 — este último já havia sido excluído do sistema, segundo a defesa.
Registro reaparece sem explicação
Segundo Ana Paula Henkel, o advogado Ricardo Fernandes, que integra a equipe de defesa de Martins, classificou a situação como uma “aberração jurídica”. Ela lembrou que a entrada irregular já havia sido removida do sistema em junho de 2024, após o reconhecimento do erro pelas autoridades americanas.
“Os advogados checavam o sistema quase diariamente desde então, e nenhuma nova inserção havia sido detectada. Porém, após a convocação do ex-delegado da PF Fábio Schorr como testemunha no caso de Filipe Martins nesta semana, o registro reapareceu” relatou Ana Paula.
Visto incompatível e nome grafado errado
A análise comparativa dos dois documentos revela inúmeras inconsistências. No registro legítimo, Filipe Martins aparece com o visto G2, usado por diplomatas em missão oficial — o tipo de visto que exige retorno imediato ao país de origem assim que o chefe de Estado (no caso, Bolsonaro) deixa os EUA.
Já no documento suspeito, o visto aparece como A2 com o código D/S (Duration of Status), que permite estadia indefinida no território americano. Além disso, o nome do ex-assessor aparece grafado incorretamente como “Felipe”, o que reforça as suspeitas de fraude.

“O que chama ainda mais atenção é: por que o sistema voltou a exibir uma entrada com um visto diferente do que Filipe possuía? Quem fez essa modificação?” questionou Ana Paula durante o programa.
Processo em curso e fase de investigação
De acordo com as informações apresentadas, o caso continua sob análise em um processo cível nos EUA, atualmente na fase de “discovery”, que é o período destinado à coleta de provas. A fase deve ser concluída no dia 25 de julho.
Além disso, duas investigações seguem abertas em solo americano: uma conduzida pelo FBI e outra pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA (Homeland Security).
Em 2023, o Ministério Público americano chegou a propor um acordo com a defesa de Martins, após admitir o erro no sistema. No entanto, a advogada Ana Bárbara, que também atua na causa, recusou a proposta:
“Agora não basta reconhecer o erro. Queremos saber quando ele aconteceu, como foi inserido e principalmente quem foi o responsável por essa inserção e pelas alterações que voltaram a ocorrer recentemente” afirmou a defesa.