Uma empresa de consultoria criada recentemente, sem site institucional e sem atuação visível nas redes sociais, passou a ser alvo da CPMI do INSS após movimentar centenas de milhões de reais em poucos meses. As investigações apontam conexões financeiras e operacionais com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, além de repasses a uma publicitária ligada a campanhas do PT.
A Spyder Consultoria, registrada em dezembro de 2024, chamou a atenção das autoridades por uma movimentação financeira considerada fora do padrão. Apenas no primeiro semestre do ano seguinte, a empresa acumulou R$ 371 milhões em transações, valor compatível com o porte de grandes companhias, segundo critérios do BNDES.
Apesar disso, a empresa não possui site, presença digital ativa e tem como proprietário formal um jovem de 25 anos que atua como auxiliar de serviços gerais. O capital social declarado é de apenas R$ 120 mil, montante irrisório diante do volume financeiro registrado.
Relatórios do Coaf, enviados à CPMI do INSS, identificaram um repasse de R$ 200 mil da Spyder para a publicitária Danielle Miranda Fonteles. Procurada, ela afirmou não manter relação com a consultoria e declarou que o pagamento teria sido determinado pelo Careca do INSS, como parte de uma negociação imobiliária envolvendo um imóvel em Trancoso, no sul da Bahia.
Danielle Fonteles é conhecida por sua atuação em campanhas eleitorais do PT, incluindo a de Dilma Rousseff em 2010, e aparece em investigações da Polícia Federal como parceira do Careca do INSS em uma empresa de cannabis medicinal em Portugal. Mensagens obtidas pela imprensa indicam que ela coordenava atividades do projeto no país europeu.
A Spyder passou a ser investigada após receber recursos da Dinar S/A Participações, empresa apontada como instrumento financeiro do Careca. A Dinar, por sua vez, recebeu valores expressivos da Arpar, pertencente ao empresário, e da Confederação Brasileira dos Trabalhadores de Pesca e Aquicultura (CBPA) — ambas também sob investigação no caso conhecido como Farra do INSS.
Dados da Receita Federal mostram que, apenas duas semanas após sua criação, a Spyder já havia movimentado mais de R$ 16 milhões. O endereço cadastrado da empresa fica em um prédio comercial no bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo.
A defesa de Antônio Carlos Camilo Antunes foi procurada, mas informou que ele não se manifestaria sobre o assunto.
A rápida ascensão financeira da Spyder Consultoria, aliada à ausência de estrutura compatível com o volume de recursos movimentados, levantou fortes suspeitas de que a empresa possa ter sido utilizada como instrumento para circulação de valores investigados pela CPMI do INSS. As conexões com o Careca do INSS e com outras entidades sob apuração reforçam o interesse do Congresso e dos órgãos de controle no aprofundamento das investigações.