O ex-chefe de gabinete da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro, rompeu o silêncio e fez sérias acusações contra o ministro Alexandre de Moraes, durante entrevista aos jornalistas Allan dos Santos e Ernesto Lacombe, na revista Timeline, nesta quarta-feira (30).
Segundo Tagliaferro, que agora vive fora do Brasil em local não revelado — e pretende se estabelecer nos Estados Unidos —, ele presenciou diretamente o que classifica como abusos de autoridade dentro do gabinete de Moraes. O ex-assessor declarou que recebeu ordens para monitorar pessoas específicas, todas com ligações à direita política. “Só entravam no gabinete coisas de direita, nada de esquerda. Isso me chamou atenção e comecei a questionar”, afirmou.
Denúncias e Arrependimento
Durante a entrevista, Tagliaferro declarou que, mesmo sem ter executado diretamente ações que prejudicassem indivíduos, reconhece que integrava um sistema voltado para censura e perseguição ideológica. “Eu não fazia parte da gangue. Apenas estava lá, via acontecer. Mas nunca compactuei com isso”, garantiu.
Ele afirma que tentou por diversas vezes se desligar da função, mas era constantemente impedido. “Cheguei a virar piada. Toda hora dizia que ia pedir exoneração, mas não me deixavam sair”, contou. Segundo ele, apenas após uma situação de crise interna — que ele não detalha —, foi oficialmente desligado.
Provas e Conluio
Tagliaferro promete apresentar provas materiais dos abusos cometidos no período em que esteve no gabinete. “Tem muita coisa guardada. E não vou mostrar agora para não estragar a surpresa. Mas ele sabe exatamente do que estou falando”, disparou, referindo-se a Alexandre de Moraes.
O ex-assessor mencionou a existência de diálogos com integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) e descreveu o núcleo de atuação no TSE como um “conluio, uma gangue organizada”. Ainda segundo ele, houve manipulação nas eleições de 2022, embora não tenha entrado em detalhes. “A hora que eu contar, você vai ver o que foi a eleição”, prometeu.
Perseguição e Exílio
Tagliaferro relatou que já está sendo alvo de movimentações judiciais e investigações desde que decidiu falar publicamente. Ele afirma que houve tentativa de acesso forçado ao backup de seu WhatsApp, que conteria provas das acusações. “Eles sabem o que tem no meu telefone e têm medo do que pode acontecer”, declarou.
O ex-assessor afirmou que deixou o Brasil para proteger a si mesmo e sua família. Disse ainda que agora, em segurança, está determinado a seguir denunciando as práticas que presenciou, inclusive buscando apoio internacional por meio da Lei Magnitsky — legislação usada pelos Estados Unidos para aplicar sanções a autoridades envolvidas em violações de direitos humanos.
As declarações de Tagliaferro lançam novas sombras sobre os bastidores do TSE durante os últimos anos e reacendem o debate sobre liberdade de expressão, perseguição política e os limites da atuação do Judiciário no Brasil. As revelações prometem novos desdobramentos tanto no cenário nacional quanto no exterior, especialmente caso o ex-assessor concretize sua ida aos Estados Unidos e leve adiante suas denúncias em organismos internacionais.