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Evento de Gilmar Mendes em Lisboa é retirado do ar pelo YouTube por violar direitos autorais

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O segundo dia do Fórum Jurídico de Lisboa, organizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, foi marcado por uma situação inusitada: a transmissão ao vivo do evento foi suspensa pelo YouTube por violação de direitos autorais. O episódio gerou repercussão nas redes sociais, especialmente por envolver justamente autoridades e especialistas que defendem o endurecimento das regras sobre o uso de conteúdo protegido na internet.

O evento, apelidado por críticos como “Gilmarpalooza”, reuniu cerca de 150 autoridades brasileiras — entre políticos, ministros, magistrados, empresários e acadêmicos — para debater temas como democracia, regulação das plataformas digitais e proteção à propriedade intelectual. Entre os participantes estavam nomes como o ministro Alexandre de Moraes, o senador Rodrigo Pacheco, a deputada Tabata Amaral e o deputado Orlando Silva, relator do chamado “PL das Fake News”, que propõe mecanismos de responsabilização para plataformas e usuários da internet.

A transmissão estava sendo feita pelo canal oficial do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), ligado ao próprio Gilmar Mendes. No entanto, segundo a plataforma, a suspensão ocorreu de forma automática após a detecção do uso de músicas protegidas por direitos autorais sem a devida autorização.

“A suspensão visa proteger os direitos autorais, independentemente do canal. Quando há múltiplas reivindicações sobre músicas, a transmissão é automaticamente interrompida”, explicou um porta-voz do YouTube ao portal Metrópoles.

A situação se tornou ainda mais controversa porque muitos dos participantes do evento são defensores de medidas mais rígidas no uso de conteúdos artísticos nas redes sociais, incluindo a remuneração obrigatória de autores em qualquer tipo de publicação que envolva música ou obras protegidas.

A live foi retirada do ar pouco antes da palestra do ex-secretário de Estado dos Estados Unidos e ex-diretor da CIA, Mike Pompeo. Fontes da organização alegaram que o contrato com Pompeo já previa a não transmissão de sua fala, o que poderia ter sido um dos fatores para o corte. No entanto, a interrupção se manteve mesmo após o encerramento da participação do americano, sendo posteriormente atribuída às denúncias de violação de direitos autorais.

Ironia e críticas

Nas redes sociais, internautas e influenciadores ironizaram o episódio, apontando o contraste entre o discurso dos participantes do fórum e a prática adotada na transmissão. “Foram censurados pelo mesmo sistema que querem impor ao país”, afirmou um comentarista político.

Durante o painel da manhã, o evento abordou temas como “Dilemas da Soberania Digital”, tratando da relação entre os governos e as big techs. O painel contou com nomes como Alexandre de Moraes, Rodrigo Pacheco, Samara Castro (assessora de temas digitais), Tabata Amaral e Orlando Silva. Todos são conhecidos por participarem ativamente dos debates sobre regulação da internet no Brasil — muitos deles defendendo o aumento da responsabilização das plataformas e dos criadores de conteúdo.

O constrangimento foi inevitável: os mesmos que discursaram pela regulamentação rígida da internet, censura de fake news e proteção dos direitos autorais foram temporariamente silenciados pela política de direitos autorais da própria plataforma onde transmitiam.

Regulação e contradições

A situação evidencia uma contradição crescente no debate sobre regulação digital. Enquanto se discute formas de proteger autores e combater a desinformação, cresce o receio de que tais medidas sirvam, na prática, para cercear a liberdade de expressão e o acesso à informação.

No Brasil, o projeto de lei das fake news (PL 2630), que ainda tramita no Congresso, tem sido alvo de intensos debates. Seus críticos chamam a proposta de “PL da Censura”, alegando que ela daria poderes excessivos ao Estado e às plataformas para controlar o conteúdo publicado por usuários.

O episódio do “Gilmarpalooza” pode, agora, se tornar um símbolo dessa disputa: um evento que pretendia defender a ordem e o controle digital, mas que foi parado justamente pelas regras que defende — não por decisões judiciais ou políticas, mas por um simples algoritmo de detecção automática de músicas sem licença.

Jornalista (CRP/BA 0006663/BA), radialista (DRT 5072/BA) e youtuber. Como jornalista já atua há 10 anos e atualmente é diretor de jornalismo do Portal Veja Aqui Agora . Desde 1984, atua no rádio, começando sua trajetória na Rádio Fundação Ide e Ensinai, em São Gonçalo dos Campos, na Bahia. Também trabalhou na Radio Cultura AM, Carioca AM, Betel FM, Cidade FM. Foi diretor da Comunidade FM, todas em Feira de Santana e atualmente trabalha na Rádio Elos, onde apresenta o Programa Bom Dia Felicidade, de segunda a sexta-feira, das 10h ao meio dia, também na mesma cidade. Também dirigiu a Rádio Shekiná FM em Vinhedo São Paulo e trabalhou como apresentador na Jerusalém FM na capital paulista. Como youtuber, administra os canais “Veja Aqui Agora News”, com mais de 160 mil assinantes e “Edivaldo Santos News” com mais de 15 mil assinantes. Para contato: vejaaqui.agora@hotmail.com

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