Nos últimos tempos, o Brasil parece viver um déjà vu geopolítico. As semelhanças com regimes autoritários da Venezuela e da Rússia se tornam assustadoramente evidentes. A perseguição política, o controle da imprensa, o uso estratégico das instituições judiciais contra adversários e a manipulação da opinião pública são práticas comuns nesses países – e agora, cada vez mais visíveis por aqui.
Enquanto isso, a imprensa tradicional e os formadores de opinião, bem alimentados por verbas públicas, seguem repetindo o mesmo mantra: Bolsonaro é o vilão de todos os males da nação. E qualquer tentativa de defesa vira “atentado à democracia”.
Tornozeleiras, censura e silêncio forçado
Alexandre de Moraes, o ministro do STF com poderes quase divinos, impôs uma tornozeleira eletrônica ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como parte de uma “medida cautelar”. Parece simbólico, mas na prática, é um aviso claro: ou cala a boca ou a punição será ampliada.
Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do ex-presidente, teve seus bens bloqueados, sua conta Pix congelada e seus rendimentos como parlamentar embargados. A justificativa? Ter denunciado, nos Estados Unidos, o abuso de poder cometido pelo Judiciário brasileiro. Em qualquer democracia saudável, isso seria considerado um direito. Aqui, é tratado como crime.
Quando criticar vira “ameaça à democracia”
É a mesma cartilha de Putin e Maduro: rotular a oposição como “perigo à estabilidade nacional”, deslegitimar qualquer crítica como “extremismo” e neutralizar adversários via decisões judiciais enviesadas. Os paralelos são inevitáveis.
Na Rússia, Alexei Navalny desafiou Vladimir Putin e acabou envenenado, preso e condenado sucessivas vezes até sua morte em uma cela solitária. Na Venezuela, Juan Guaidó foi alvo de perseguições, impedido de concorrer, acusado de crimes sem provas sólidas e tratado como inimigo da pátria.
No Brasil, a diferença é que a fantasia democrática continua sendo encenada: eleições acontecem, há “liberdade de expressão” – mas só até certo ponto. A censura velada avança. A “lei do ódio” se transforma em mordaça, e as redes sociais viram território vigiado por supostos defensores da democracia que, na prática, agem como seus algozes.
Imprensa alinhada, Congresso omisso, Forças Armadas caladas
Enquanto isso, o chamado “consórcio de imprensa” se cala – ou pior, aplaude. Comentaristas e jornalistas celebram cada decisão judicial que restringe direitos da oposição, como se isso fosse “prova de civilidade institucional”.
O Congresso? Covarde. A maioria dos deputados e senadores parece mais preocupada com emendas e cargos do que com o futuro do país. As Forças Armadas? Silenciosas, inertes, reféns de um medo institucional de serem também rotuladas como “golpistas”.
O método é claro: controle e manipulação
Nomeiam-se ministros supremos vindos da militância política, esvaziam-se as instâncias de defesa, e usa-se a máquina estatal para calar opositores. Cria-se a ilusão de um Estado de Direito, enquanto a realidade escancara um Estado de exceção disfarçado.
E a população? Divide-se entre os que acreditam em narrativas televisivas e os que, pouco a pouco, vão despertando. Mas até quando o Brasil resistirá a esse tipo de autoritarismo travestido de institucionalidade?
Considerações finais
Não se trata de defender políticos ou partidos. Trata-se de preservar a democracia de verdade – aquela em que se pode discordar sem ser punido, onde a Justiça é cega e a imprensa é livre de verdade.
O que está em jogo hoje no Brasil não é apenas a liberdade de um homem, mas a liberdade de um povo inteiro.
A coluna Falando Sobre o Assunto com o jornalista Edivaldo Santos analisa e traz informações sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política, da economia, do gospel e em tudo que acontece no Brasil e no mundo. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail veja.aquiagora@hotmail.com.