Um deputado estadual do Maranhão, filiado ao PSB, entrou no centro das investigações da CPMI do INSS após a revelação de uma movimentação financeira milionária em curto período. Os dados, encaminhados pela Receita Federal ao Congresso, apontam valores considerados incompatíveis com sua renda oficial, além de ligações com entidades investigadas por descontos indevidos em benefícios previdenciários.
O parlamentar Edson Júnior (PSB-MA) movimentou mais de R$ 18 milhões em apenas seis meses, no início de 2025. As informações foram enviadas pela Receita Federal à CPMI do INSS depois que o colegiado aprovou a quebra do sigilo fiscal do deputado, em novembro do ano passado. Na mesma ocasião, também foi aprovada sua convocação para prestar esclarecimentos.
Edson Júnior é vice-presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquacultura (CBPA), uma das entidades investigadas no esquema conhecido como “farra do INSS”. Ele também foi alvo da quarta fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal em 13 de novembro.
Segundo os dados fiscais, a movimentação financeira ocorreu por meio de várias contas bancárias, incluindo contas correntes e aplicações. A principal delas registrou quase R$ 5 milhões apenas nos seis primeiros meses de 2025. Em outra conta, o volume foi de R$ 928,9 mil, com créditos e débitos praticamente equivalentes. Ambas estão vinculadas a uma agência do Banco do Brasil localizada no bairro Olho d’Água, área nobre de São Luís.
Os valores chamam atenção por não condizerem com os rendimentos declarados pelo parlamentar. Em dezembro de 2025, Edson Júnior recebeu R$ 25,3 mil líquidos como deputado estadual pela Assembleia Legislativa do Maranhão. Nas eleições de 2022, ele declarou possuir R$ 939,5 mil em bens, sendo R$ 544,5 mil em aplicações financeiras.
Além da investigação financeira, o deputado também se envolveu em um episódio de ameaça contra o deputado federal Duarte Júnior (PSB-MA), vice-presidente da CPMI do INSS. No início de novembro passado, Duarte relatou temor pela segurança de sua família, incluindo sua esposa grávida de oito meses, após receber mensagens consideradas ameaçadoras.
Diante da gravidade do caso, a CPMI solicitou proteção da Polícia Legislativa em Brasília e escolta da Polícia Federal no Maranhão para o deputado federal. Duarte Júnior registrou boletim de ocorrência, anexando prints das mensagens atribuídas a Edson Araújo, nas quais ele afirma estar ameaçando o parlamentar e utiliza ofensas diretas.
Em maio, a CPMI do INSS também revelou que Edson Araújo recebeu R$ 5,4 milhões da Federação das Colônias dos Pescadores do Estado do Maranhão, entre maio de 2023 e maio de 2024. A federação passou a ser investigada por ter recebido recursos da CBPA, entidade que arrecadou cerca de R$ 99 milhões por meio de descontos em benefícios de aposentados.
Procurado para comentar as acusações e os dados financeiros, Edson Araújo não respondeu até o momento. O espaço permanece aberto para manifestação.
A movimentação milionária atribuída a Edson Júnior, somada às ameaças relatadas contra um membro da CPMI e às conexões com entidades investigadas, amplia a pressão sobre o deputado no âmbito das apurações do INSS. O caso segue sob análise da comissão parlamentar e das autoridades competentes, com desdobramentos que podem impactar o cenário político maranhense.