O jornalista e advogado Thiago Pavinatto, em seu programa Faroeste à Brasileira, no canal da Revista Oeste no YouTube, apresentou uma análise crítica sobre a recente denúncia do procurador-geral da República, Paulo Gonet, contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 33 pessoas. Segundo Pavinatto, a acusação apresenta uma série de inconsistências que levantam questionamentos sobre a solidez do caso.
A denúncia faz parte do inquérito sobre os atos do dia 8 de janeiro e imputa a Bolsonaro crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e dano qualificado ao patrimônio da União. Caso condenado em todas as instâncias, o ex-presidente pode pegar até 43 anos de prisão.
Pavinatto destaca que, apesar do alarde midiático sobre a denúncia, a peça acusatória é composta por 272 páginas, mas apenas oito pessoas foram efetivamente denunciadas inicialmente, enquanto os outros 26 nomes só foram incluídos posteriormente. Ele questiona o motivo dessa divisão e aponta para um possível descompasso entre o que foi divulgado e o que realmente consta na ação.
Outro ponto levantado é o uso excessivo da palavra “plano” na peça da PGR. Conforme argumentado por Pavinatto, planejar algo não é crime no Brasil, a menos que a execução do plano tenha sido consumada. Ele também critica trechos do documento que fazem alusão a supostos esquemas de monitoramento e reuniões privadas, sem apresentar uma ligação direta entre Bolsonaro e os fatos narrados.
A falta de provas materiais também é um ponto central da análise. Segundo Pavinatto, a denúncia se baseia em indícios frágeis, como anotações do General Heleno e um documento encontrado nos arquivos do ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem. Além disso, ele critica a inclusão de discursos públicos de Bolsonaro como elementos de prova, afirmando que a liberdade de expressão não pode ser criminalizada.
Outro questionamento é sobre a rapidez com que o Ministério Público Federal divulgou que 34 pessoas haviam sido denunciadas, enquanto os processos ainda estavam sendo protocolados. Pavinatto sugere que a pressa em dar publicidade ao caso pode indicar uma motivação política por trás da acusação.
Ao final de sua análise, Pavinatto desafia seus espectadores a encontrarem uma prova concreta contra Bolsonaro dentro das 272 páginas da denúncia. Segundo ele, não há elementos que comprovem, de forma irrefutável, o envolvimento direto do ex-presidente nos eventos investigados.
Diante dessas observações, a defesa de Bolsonaro deve utilizar esses pontos para argumentar que a acusação carece de fundamento jurídico sólido. O caso agora segue para a análise do Supremo Tribunal Federal, onde se decidirá se a denúncia será aceita ou rejeitada.
Independentemente do posicionamento político de cada um, a discussão levanta uma questão essencial: até que ponto o sistema judicial pode atuar de forma imparcial em processos que envolvem figuras políticas tão polarizadas? O desfecho deste caso certamente terá impactos profundos no cenário político brasileiro.