O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) anunciou um avanço significativo na articulação para criar a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que pretende apurar o caso envolvendo o Banco Master. Segundo o parlamentar, o número de adesões ao requerimento cresce rapidamente e a oposição já trabalha com prazo definido para alcançar o total necessário de assinaturas no Congresso Nacional.
De acordo com Jordy, o pedido de instalação da CPMI já conta com 150 assinaturas de deputados e senadores. Para que a comissão seja oficialmente criada, são exigidas 198 subscrições — sendo 171 de deputados federais e 27 de senadores, o equivalente a um terço de cada Casa. Ainda faltariam, portanto, 48 apoios, distribuídos entre 38 deputados e dez senadores.
Em declaração publicada nas redes sociais, diretamente do Aeroporto de Brasília, o deputado afirmou que a lista completa dos parlamentares signatários será divulgada ainda nesta segunda-feira. A expectativa, segundo ele, é alcançar o número mínimo até o dia 31, permitindo a instalação da CPMI assim que os trabalhos legislativos forem retomados.
O foco da comissão seria investigar suspeitas de fraude relacionadas à tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), o processo de liquidação da instituição e possíveis interferências externas. Entre os pontos citados por Jordy está a alegada atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em negociações envolvendo o caso.
Paralelamente, o parlamentar afirmou que cerca de 50 deputados estão retornando antecipadamente a Brasília para protocolar um pedido de impeachment contra Moraes. A acusação envolve uma suposta intervenção junto ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em favor do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, com o objetivo de evitar a liquidação da instituição.
Outro elemento destacado por Jordy é um contrato de prestação de serviços firmado entre o Banco Master e a advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, no valor total de R$ 129 milhões — cifra que o deputado classificou como incompatível com a prática da advocacia no país.
Ao defender a CPMI, Jordy afirmou que a comissão é fundamental para o avanço das investigações, citando como exemplo apurações anteriores que só evoluíram após a instalação de comissões parlamentares. No caso do Banco Master, ele sustenta que a CPMI serviria para impedir tentativas de reverter a liquidação da instituição e pressionar técnicos do Banco Central.
Com a coleta de assinaturas em ritmo acelerado, a oposição aposta na instalação da CPMI do Banco Master como instrumento central para aprofundar as investigações sobre o caso. Ao mesmo tempo, a mobilização para o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes reforça o clima de confronto político e institucional em torno do episódio, que promete ganhar novos capítulos nos próximos dias.