A CPI do Crime Organizado no Senado Federal pode ampliar o alcance de suas investigações envolvendo o sistema financeiro e possíveis práticas ilícitas. Requerimentos apresentados pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) solicitam a convocação de familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para prestar esclarecimentos ao colegiado, levantando suspeitas relacionadas a operações jurídicas, imobiliárias e societárias.
Entre os pedidos protocolados está a convocação da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Segundo o senador, a medida busca esclarecer indícios de que serviços jurídicos possam ter sido utilizados como instrumento para ocultação de recursos e proteção patrimonial ligados a organizações criminosas.
No requerimento, Vieira menciona um contrato de aproximadamente R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, revelado pela imprensa. Para o parlamentar, o valor do acordo destoa significativamente dos preços praticados no mercado, levantando a possibilidade de um negócio jurídico apenas formal, sem correspondência real com os serviços prestados.
O documento também faz referência a apurações da Operação Carbono Oculto, que indicam que o Banco Master teria recebido aportes financeiros provenientes de atividades ilícitas, como fraudes e tráfico de drogas. Esses recursos teriam sido movimentados por meio da emissão de certificados de depósito bancário (CDBs) intermediados por uma gestora financeira. Dentro desse cenário, os pagamentos ao escritório de advocacia poderiam, em tese, se enquadrar nos crimes previstos na legislação brasileira sobre lavagem de dinheiro.
Outro ponto destacado é a abertura de uma nova unidade do escritório em Brasília, em setembro de 2025, pouco antes da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, ocorrida em novembro do mesmo ano. Para o senador, a sequência temporal reforça a necessidade de investigar possíveis estratégias de reorganização patrimonial. Ele também questiona o fato de esses pagamentos terem recebido prioridade em relação a outros credores, o que poderia indicar tráfico de influência ou uso indevido de prestígio institucional.
Além disso, Vieira solicitou a convocação de José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro Dias Toffoli. Os pedidos se baseiam em sinais que conectam operações imobiliárias e empresariais a elementos que já estão sob investigação no campo da segurança pública e do sistema financeiro.
Paralelamente, os senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Magno Malta (PL-ES) protocolaram um requerimento específico solicitando a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Viviane Barci. O pedido abrange o período entre janeiro de 2024 e janeiro de 2026 e prevê acesso a dados financeiros, fiscais, investimentos e registros mantidos por órgãos de controle como Receita Federal, Banco Central e Coaf.
Os requerimentos foram apresentados no início do ano legislativo e poderão ser analisados na próxima reunião da CPI do Crime Organizado, marcada para 10 de fevereiro. Caso aprovadas, as medidas podem ampliar significativamente o escopo das investigações e aprofundar o debate sobre possíveis conexões entre o sistema financeiro, escritórios de advocacia e estruturas de poder no país.