Durante muito tempo, o ministro Alexandre de Moraes foi tratado por setores da imprensa e da política como uma espécie de autoridade intocável da República. Tudo parecia girar em torno de suas decisões, suas canetadas e seus inquéritos intermináveis. Quem ousasse questioná-lo era rapidamente carimbado como “golpista”, “extremista” ou inimigo da democracia.
Mas o mundo começa a mostrar que talvez a história não seja tão simples quanto tentaram vender ao povo brasileiro.
Nos últimos dias, Moraes recebeu três notícias extremamente negativas — e todas vindas de fora da bolha política e judicial brasileira. O mais impressionante é que essas derrotas não vieram de blogueiros, youtubers ou adversários políticos. Vieram de instituições judiciais internacionais e de tribunais respeitados em democracias consolidadas.
E isso muda completamente o cenário.
A primeira pancada veio no caso envolvendo Daniel Vorcaro. A autorização dada pelo ministro André Mendonça para o retorno do empresário a uma cela especial em Brasília reacendeu especulações sobre uma possível delação premiada que poderia atingir nomes poderosos da política e até do próprio Judiciário.
Quando um caso começa a se aproximar das estruturas do poder, o clima muda. O silêncio de muitos vira preocupação. E há uma pergunta que começa a crescer nos bastidores: até onde isso pode chegar?
A segunda derrota foi ainda mais pesada.
A Justiça italiana anulou a autorização de extradição da ex-deputada Carla Zambelli. Não foi uma decisão qualquer. Magistrados italianos entenderam que existiam problemas processuais e deram atenção à tese de perseguição política apresentada pela defesa.
Isso é gravíssimo para a imagem internacional do STF.
Porque uma coisa é militantes políticos brasileiros criticarem Alexandre de Moraes. Outra completamente diferente é a Justiça de um país europeu olhar para os processos conduzidos no Brasil e enxergar sinais de parcialidade ou perseguição.
E a situação piora quando lembramos do caso do jornalista Oswaldo Eustáquio. A Justiça espanhola também rejeitou sua extradição sob argumentos semelhantes.
Ou seja: Itália e Espanha, duas democracias ocidentais, chegaram praticamente à mesma conclusão.
Será que agora vão chamar os tribunais europeus de “golpistas” também?
A terceira notícia ruim veio dos Estados Unidos. E talvez seja a mais perigosa para Moraes no longo prazo.
A Justiça da Flórida aceitou que o ministro fosse citado por e-mail em uma ação movida pela Rumble e pela Trump Media & Technology Group, empresa ligada à Truth Social.
As empresas acusam Moraes de violar a liberdade de expressão garantida pela Constituição americana ao determinar bloqueios de contas e remoções de conteúdos hospedados em território dos Estados Unidos.
Isso internacionaliza definitivamente o debate sobre censura no Brasil.
Durante anos, muita gente tentou minimizar denúncias de abuso de autoridade, censura e perseguição ideológica. Mas agora o assunto ultrapassou fronteiras. O nome de Alexandre de Moraes passou a circular em tribunais internacionais, cortes estrangeiras e debates sobre liberdade de expressão no mundo inteiro.
E aqui cabe uma reflexão importante.
Ninguém está acima da lei. Nem políticos. Nem empresários. Nem ministros do Supremo.
A democracia verdadeira não pode sobreviver apenas quando interessa a um lado político. Liberdade de expressão não pode ser defendida apenas para quem pensa igual. E o Judiciário jamais deveria agir como protagonista político.
O problema é que parte do STF abandonou há muito tempo a postura de árbitro imparcial e passou a atuar como agente político ativo dentro da crise brasileira.
Hoje, o Brasil vive um momento perigoso: instituições desacreditadas, população dividida e uma crescente desconfiança internacional sobre decisões tomadas dentro do próprio sistema judicial brasileiro.
As derrotas sofridas por Alexandre de Moraes nos últimos dias não representam apenas problemas pessoais para o ministro. Elas simbolizam algo muito maior: o enfraquecimento da narrativa de que qualquer crítica ao STF é automaticamente um ataque à democracia.
Porque quando Itália, Espanha e Estados Unidos começam a levantar dúvidas, o debate deixa de ser ideológico e passa a ser institucional.
E isso preocupa muita gente em Brasília.