O Brasil figura entre as dez nações com maiores níveis de violência no planeta, segundo o mais recente Índice de Conflito divulgado pela organização internacional Armed Conflict Location & Event Data (Acled). O levantamento avalia a intensidade de conflitos armados e episódios de violência política em escala global.
A Acled, instituição independente e sem fins lucrativos apoiada por um fundo da Organização das Nações Unidas (ONU), analisa conflitos a partir de quatro critérios principais: número de mortes, riscos à população civil, alcance geográfico da violência e quantidade de grupos armados envolvidos.
No ranking global, o Brasil aparece na 7ª colocação, classificado com um cenário de conflito considerado extremo. O país ficou atrás de territórios como Palestina, Mianmar, Síria, México, Nigéria e Equador, e até mesmo de regiões em guerra declarada, como a Ucrânia.
De acordo com o estudo, o Brasil registrou 9.903 eventos de violência política nos últimos 12 meses. A Acled utiliza esse termo para definir ações violentas praticadas por grupos com motivações políticas, sociais, territoriais ou ideológicas, incluindo ataques a civis e repressões excessivas a manifestações.
Apesar da posição preocupante, o país apresentou uma leve melhora em relação ao levantamento anterior, caindo uma colocação no ranking. Ainda assim, a organização destaca que a atuação de gangues criminosas continua sendo um dos principais motores da violência no território brasileiro — fenômeno semelhante ao observado no Haiti, no México e, de forma mais intensa, no Equador.
O Equador chamou atenção ao avançar 36 posições em apenas um ano, impulsionado pela atuação de mais de 50 grupos armados, sendo cerca de 40 deles gangues. Segundo a Acled, mais da metade dessas organizações esteve envolvida em mais de 2.500 ataques contra civis.
No topo da lista está a Palestina, onde praticamente toda a população foi exposta a algum tipo de violência. A Acled aponta que o conflito é amplamente disseminado, atingindo cerca de 70% da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. Em termos de letalidade, a região fica atrás apenas da Ucrânia e do Sudão.
Ao todo, o relatório analisou 50 países com os cenários mais graves de violência. Os dados foram coletados entre 1º de dezembro de 2024 e 28 de novembro de 2025, período em que foram registrados 204.605 eventos violentos, número próximo ao do levantamento anterior. Esses episódios resultaram, segundo estimativa conservadora, em mais de 240 mil mortes.
Além do panorama atual, a Acled também divulgou projeções preocupantes para 2026. A organização aponta que a América Latina e o Caribe estão entre as regiões que podem enfrentar aumento da instabilidade política, conflitos armados e crises humanitárias, impulsionados, entre outros fatores, pela crescente pressão dos Estados Unidos, o que pode estimular maior militarização da segurança e intensificação da violência.