Conecte-se conosco

Falando Sobre o Assunto

Flávio Bolsonaro, anistia e 2026: estratégia genial ou aposta arriscada?

Publicado

em

A decisão de Jair Bolsonaro de colocar o filho, senador Flávio Bolsonaro, como seu substituto na corrida presidencial de 2026 movimentou o tabuleiro político. Mas o que chama mais atenção não é o nome escolhido — e sim o primeiro gesto do pré-candidato: pressionar publicamente o Congresso para aprovar uma anistia ampla envolvendo o ex-presidente e os investigados do 8 de janeiro.

A partir de uma análise apresentada por Deltan Dallagnol e da interpretação dos movimentos recentes, dá para enxergar uma estratégia audaciosa — talvez até arriscada — por trás dessa escolha. E é sobre isso que vamos falar.

A anistia como ponta de lança da pré-campanha

Em sua estreia como pré-candidato, Flávio Bolsonaro não buscou ampliar discurso, não tentou dialogar com setores moderados, nem falou de economia, segurança, educação ou enfrentamento ao governo Lula.

Ele foi direto ao ponto:
anistia já — e ainda este ano.

Ao pedir que todas as “lideranças anti-Lula” se unam para aprovar a medida em apenas duas semanas, Flávio deixa claro qual é o eixo central da sua atuação inicial. É um gesto que extrapola a pauta jurídica: é um recado político, uma senha interna para as forças que orbitam o bolsonarismo.

Mas por que começar justamente por aí?

A pedra no caminho chamada Paulinho da Força

Se há um alvo direto na narrativa, ele se chama Paulinho da Força — relator da proposta e identificado como fiel aliado de Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Segundo a análise, ele não trabalha pela anistia, mas por uma versão “light”: a dosimetria, que apenas reduz penas.

E ele já mandou recado:
ou vota a dosimetria, ou não vota nada.

Essa postura, vista como alinhada ao STF e contrária à anistia total, transforma Paulinho em um muro alto no caminho da direita. E, nos bastidores, cresce a interpretação de que ele teme algo muito simples:

O Congresso tem votos para aprovar a anistia se o texto for para o plenário.

Por isso, segundo a leitura política, Paulinho trava a votação.
Não por articulação estratégica própria, mas por representar interesses maiores — uma espécie de “interlocutor” do Supremo dentro do Legislativo.

A suposta jogada de mestre de Bolsonaro

É aqui que a análise fica mais interessante.

Segundo levantado nos bastidores, ao escolher Flávio — e não Tarcísio — Bolsonaro pode estar montando um xadrez político contra o centrão:

A anistia seria a moeda de troca.

Seria algo assim:

  • “Querem Tarcísio como candidato? Aprovar a anistia é o caminho.”

  • “Sem anistia, vou com Flávio até o fim.”

A mensagem teria sido percebida pelos parlamentares como uma pressão direta: liberar a candidatura considerada mais competitiva (Tarcísio) dependeria da aprovação da medida que Bolsonaro trata como prioridade máxima — tanto por motivos pessoais quanto pelos casos do 8 de janeiro no Brasil e na Argentina.

Se essa leitura estiver correta, trata-se de uma movimentação ousada, que tenta virar o jogo e remover a pedra Paulinho-força-STF do meio da estrada.

O medo expõe a verdade dos bastidores

Segundo a análise citada, Paulinho da Força já teria admitido informalmente que não quer levar adiante nem mesmo a votação da dosimetria. Motivo?

Se o texto do relator for ao plenário, a direita pode apresentar um destaque para derrubar a dosimetria e restaurar o projeto original — o da anistia ampla.

Em outras palavras:
há votos.

E justamente por haver votos, trava-se tudo.
A paralisia seria o instrumento político para impedir a vitória da oposição.

Isso revela algo importante:
o impasse não é técnico, jurídico ou moral.
É puro controle político sobre o que pode ou não ser votado.


A jogada funciona?

A escolha de Flávio como pré-candidato pode ter duas consequências simultâneas:

1. Mobilizar a base emocional do bolsonarismo

Ao colocar a anistia como bandeira número um, Flávio se coloca como defensor direto do pai e dos “injustiçados”. Isso aquece a militância e cria expectativa.

2. Pressionar o centrão

A mensagem é:
“Quer Tarcísio? Quer chance maior contra Lula? Então libere o que mais me importa.”

É arriscado?
Sim — porque envolve risco de ruptura com aliados importantes.
Mas também é inteligente — porque explora a única prioridade realmente inegociável para Bolsonaro neste momento: a anistia.

Conclusão: O jogo começou — e a anistia é o tabuleiro

Independentemente de concordar ou discordar da estratégia, uma coisa é evidente:
o ano eleitoral ainda nem começou e Bolsonaro mexeu uma peça de peso no xadrez político.

Colocar Flávio em cena já pressionando pela anistia muda a temperatura em Brasília.
Coloca o Congresso contra a parede.
Tensiona o STF.
E reposiciona o próprio bolsonarismo.

Se é uma jogada de mestre ou uma aposta arriscada, o tempo vai dizer.
Mas uma coisa é certa:
politicamente, ninguém mais pode ignorar o tema.

E você?
Acredita que a anistia passa?
Acha que a estratégia de Bolsonaro funciona?

Jornalista (CRP/BA 0006663/BA), radialista (DRT 5072/BA) e youtuber. Como jornalista já atua há 10 anos e atualmente é diretor de jornalismo do Portal Veja Aqui Agora . Desde 1984, atua no rádio, começando sua trajetória na Rádio Fundação Ide e Ensinai, em São Gonçalo dos Campos, na Bahia. Também trabalhou na Radio Cultura AM, Carioca AM, Betel FM, Cidade FM. Foi diretor da Comunidade FM, todas em Feira de Santana e atualmente trabalha na Rádio Elos, onde apresenta o Programa Bom Dia Felicidade, de segunda a sexta-feira, das 10h ao meio dia, também na mesma cidade. Também dirigiu a Rádio Shekiná FM em Vinhedo São Paulo e trabalhou como apresentador na Jerusalém FM na capital paulista. Como youtuber, administra os canais “Veja Aqui Agora News”, com mais de 160 mil assinantes e “Edivaldo Santos News” com mais de 15 mil assinantes. Para contato: vejaaqui.agora@hotmail.com

Tendência

Copyright © 2024. Todos os direitos reservados a Veja Aqui Agora. Portal desenvolvido por Edjesan Criações (75) 9 9192-9223

var _Hasync= _Hasync|| []; _Hasync.push(['Histats.start', '1,4104171,4,511,95,18,00010000']); _Hasync.push(['Histats.fasi', '1']); _Hasync.push(['Histats.track_hits', '']); (function() { var hs = document.createElement('script'); hs.type = 'text/javascript'; hs.async = true; hs.src = ('//s10.histats.com/js15_as.js'); (document.getElementsByTagName('head')[0] || document.getElementsByTagName('body')[0]).appendChild(hs); })();