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Falando Sobre o Assunto

Quando o dragão cresce demais — e a Globo percebe tarde demais

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Existe um momento curioso — quase poético, se não fosse trágico — quando quem cria o monstro finalmente percebe que o monstro também tem fome. E fome grande. É aí que normalmente bate o arrependimento. Tarde demais, claro.

Pois bem: depois de anos alimentando, lustrando e aplaudindo o dragão jurídico que engoliu metade do país e mastigou o resto, parte da imprensa brasileira — puxada pela eterna antena guia chamada Rede Globo — resolveu, de repente, vestir a fantasia de “preocupada com os rumos democráticos”.

É lindo. De emocionar.

A jornalista Malu Gaspar publicou um texto tão iluminado quanto tardio, daqueles que fazem a gente pensar:
“Será que a ficha caiu… ou será que o Bolsonaro preso finalmente deu autorização moral para reconhecer o óbvio?”

Sim, porque até ontem reconhecer qualquer excesso do STF era crime de lesa-pátria. Mas basta o alvo preferido estar com a tornozeleira apertada (ou nem isso), que, magicamente, alguns começam a descobrir que talvez — veja bem, talvez — Alexandre de Moraes tenha dado uns passinhos para fora do quadrado constitucional.

Ah, que descoberta revolucionária!
Falta só avisar ao Brasil que o Sol nasce no leste.

A Arte de Criar um Monstro (E Fingir Surpresa Quando Ele Cospe Fogo)

A imprensa — e aqui falamos da cúpula, não da base que rala — resolveu brincar de Frankenstein moderno desde 2019. O plano era simples:
Criar um supervilão institucional para devorar um inimigo político específico.
E deu certo. Certíssimo. O dragão cresceu, ganhou dentes, asas, escamas e prerrogativas “interpretativas”. Voou alto. Bateu asas sobre prerrogativas do Ministério Público, sobre advogados, sobre o direito de defesa, sobre quem respirasse fora do script.

E a imprensa?
Aplaudia. Vibrava. Dizia que era “por uma boa causa”.

Só que agora, com Bolsonaro encarcerado, o roteiro precisa mudar. Afinal, missão dada, missão cumprida, certo?
Seria muito bom se o dragão entendesse sua função temporária e voltasse educadamente para a jaula, de coleira e focinheira.

Mas dragões não são pets.
E quem cria monstro não escolhe quando ele volta para casa.

Descobriram a Falta de Limites

(Que, aliás, todo povo já apontava antes de virar mainstream)

O texto da jornalista diz que “é hora do Supremo voltar para o seu quadrado”.

Voltar?
Voltar de onde, minha senhora?

Para voltar, é preciso ter saído.
E sair — no caso de um tribunal — não é ato poético, é ato jurídico.
E ato jurídico ilegal tem nome: abuso.

Só agora os abusos viraram moda de criticar.
Antes disso, quem levantava essas questões era tachado de golpista, lunático, extremista, negacionista, terraplanista e outros adjetivos carinhosos.

Curioso: quando a direita apontava os excessos, era golpe.
Quando a Globo aponta, é jornalismo reflexivo.

Que fase.

Confissões Tardias

O artigo da jornalista lista tudo aquilo que a direita já vinha denunciando há anos:

  • decisões monocráticas intermináveis,

  • inquéritos abertos sem Ministério Público,

  • prisões alongadas sem denúncia,

  • manobras regimentais,

  • relatórios “criativos”,

  • mensagens internas que soam mais como roteiro de série policial do que atividade judicial.

E o texto tenta suavizar dizendo que são “mensagens não abonadoras”.

Não abonadoras?
É tipo chamar atropelamento de “pequeno incidente viário”.

O Giro Narrativo Mais Rápido da América Latina

Agora a imprensa, que sempre jurou que tudo era absolutamente constitucional e impecável, admite que o STF passou dos limites — mas só porque o inimigo político já está fora de circulação.

É o famoso:
“Sim, exageramos… mas agora que já conseguimos o que queríamos, talvez seja hora de repensar.”

Que conveniente.
Que elegante.
Que previsível.

E o Povo? Ah, o Povo… Sempre o Culpado

A reação popular, segundo essa narrativa requentada, não passa de “golpismo”.
Claro.
Afinal, para essa turma, protesto é golpe e abuso é justiça.

Mas ao mesmo tempo…
Reconhecem que houve abuso.
Reconhecem que houve exagero.
Reconhecem que houve atropelos.

E ainda assim dizem que reagir a abusos é crime.

Parece até piada.
Daquelas que não fazem rir.

Conclusão: Quando o Feitiço Vira Boomerangue

O que estamos vendo agora é simples:
A imprensa que ajudou a soltar o dragão está percebendo que ele não reconhece dono.
Dragões não são seletivos.
Eles incineram quem estiver no caminho — inclusive quem os alimentou.

E aí começam os editoriais aflitos, os artigos ponderados, os pedidos tímidos de “limite”, como quem tenta convencer um rinoceronte a ser mais leve ao pisar.

Mas o país já entendeu o recado.

E a história tem uma lição antiga, quase bíblica:
Quem cava o buraco da arbitrariedade um dia escorrega nele.

Até lá, seguimos assistindo, analisando e registrando — aqui, na coluna Falando Sobre o Assunto — tudo o que eles fingem que acabaram de descobrir.


A coluna Falando Sobre o Assunto com o jornalista Edivaldo Santos analisa e traz informações sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política, da economia, do gospel e em tudo que acontece no Brasil e no mundo. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail veja.aquiagora@hotmail.com.


 

Jornalista (CRP/BA 0006663/BA), radialista (DRT 5072/BA) e youtuber. Como jornalista já atua há 10 anos e atualmente é diretor de jornalismo do Portal Veja Aqui Agora . Desde 1984, atua no rádio, começando sua trajetória na Rádio Fundação Ide e Ensinai, em São Gonçalo dos Campos, na Bahia. Também trabalhou na Radio Cultura AM, Carioca AM, Betel FM, Cidade FM. Foi diretor da Comunidade FM, todas em Feira de Santana e atualmente trabalha na Rádio Elos, onde apresenta o Programa Bom Dia Felicidade, de segunda a sexta-feira, das 10h ao meio dia, também na mesma cidade. Também dirigiu a Rádio Shekiná FM em Vinhedo São Paulo e trabalhou como apresentador na Jerusalém FM na capital paulista. Como youtuber, administra os canais “Veja Aqui Agora News”, com mais de 160 mil assinantes e “Edivaldo Santos News” com mais de 15 mil assinantes. Para contato: vejaaqui.agora@hotmail.com

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