O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, continuará preso após decisão da Justiça Federal do Distrito Federal nesta terça-feira (18). Detido pela Polícia Federal um dia antes, em São Paulo, o banqueiro se preparava para viajar ao exterior, o que levantou suspeitas de fuga em meio às investigações sobre um esquema bilionário envolvendo o Banco de Brasília (BRB). Sua defesa promete recorrer da decisão.
Prisão mantida e dúvidas sobre destino do voo
Vorcaro segue detido na sede da Polícia Federal em São Paulo. Seus advogados solicitaram que ele permaneça na carceragem por motivos de segurança, mas a juíza responsável ainda aguarda informações da PF sobre as condições do local antes de decidir.
Além do banqueiro, Augusto Lima — sócio do Master — também foi preso.
A audiência de custódia, realizada no fim da tarde, durou cerca de uma hora. A defesa alegou que, após a liquidação do Banco Master, não haveria mais motivo para manter a prisão preventiva. Os advogados afirmaram ainda que o empresário viajava para Dubai para uma reunião previamente agendada com representantes do fundo interessado na compra da instituição.
Porém, investigadores indicam que o plano de voo apresentado não condiz com o destino real da aeronave, que seguiria para Malta, no Mediterrâneo — informação que reforçou a suspeita de tentativa de deixar o país.
Argumentos da defesa
Os representantes legais de Vorcaro sustentaram que ele está proibido judicialmente de administrar qualquer instituição financeira, o que afastaria o risco de interferência nas investigações. Também destacaram que buscas e apreensões já foram concluídas e que o empresário possui residência fixa, esposa e filho no Brasil, o que afastaria a possibilidade de fuga.
Entretanto, as autoridades afirmam que ele tinha acesso antecipado a informações sigilosas, como a ordem de prisão e a decisão do Banco Central que determinou a liquidação do Master — o que poderia ter influenciado sua pressa em viajar.
Desvios bilionários na mira da PF e do MPF
As investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal apontam para um esquema de desvio de R$ 12,2 bilhões na negociação de carteiras de crédito entre o BRB e o Banco Master.
Segundo os apuradores, quase R$ 7 bilhões correspondem a contratos considerados falsos, enquanto outros R$ 5,5 bilhões teriam sido pagos em prêmios e bônus sem justificativa adequada.
As transferências teriam começado ainda antes do anúncio oficial da negociação, em março, e continuado até maio deste ano. Em setembro, o Banco Central rejeitou a operação entre o Master e o BRB, o que impulsionou a apuração do possível esquema de fraude no sistema financeiro.
A permanência de Daniel Vorcaro na prisão ocorre em meio a suspeitas que envolvem desvio de bilhões de reais, possível acesso a dados sigilosos e indícios de tentativa de fuga. Enquanto a defesa tenta reverter a decisão, a PF e o MPF avançam na investigação que envolve uma das maiores operações financeiras recentes entre uma instituição pública e um banco privado.