O Brasil nunca decepciona. Quando você pensa que já viu de tudo, vem a academia e mostra que ainda há espaço para o inacreditável. Desta vez, o prêmio “Teoria do Ano” vai para a cientista política e professora da Universidade Federal Fluminense, Jacqueline Muniz, que conseguiu transformar uma tragédia com 121 mortos em uma verdadeira aula de surrealismo aplicado à segurança pública.
Durante uma entrevista, a doutora da segurança afirmou — com a serenidade de quem ensina o abecedário — que um bandido com fuzil pode ser neutralizado com uma pedra. Isso mesmo. Segundo ela, o fuzil tem “baixo rendimento criminal” e, portanto, um arremesso bem dado resolveria o problema. Faltou só ensinar a técnica do lançamento. Talvez com treino no quintal, entre o varal e o tanque.
A Revolução do Paralelepípedo
Enquanto o Estado gasta bilhões em viaturas blindadas, drones e coletes balísticos, a salvação estava bem debaixo dos nossos pés: no calçamento.
É o novo modelo de segurança pública made in Brasil: basta um punhado de pedrinhas e muita disposição.
Quem precisa de BOPE, CORE ou forças especiais quando se pode montar o “Pelotão da Calçada”? Basta reunir uns vizinhos, cada um com seu paralelepípedo, e pronto: o crime treme. A tática é simples — o criminoso ergue o fuzil, você mira, arremessa e… fim da violência urbana.
Não duvide se em breve surgir um novo curso nas universidades:
“Autodefesa com cabo de vassoura e chinelo de dedo: teoria e prática.”
Afinal, se pedra resolve fuzil, quem sabe uma havaiana bem calibrada não neutraliza um tanque?
Quando a Academia Vira Stand-up
O mais curioso é que essa teoria não veio de um comediante, mas de uma professora universitária. E aí mora o perigo.
Porque quando o absurdo ganha crachá acadêmico, vira argumento sério em debates, projetos e, quem sabe, até políticas públicas.
É a velha mania brasileira de transformar a insanidade em “reflexão crítica”. Em nome da análise social, vale tudo: do “bandido vítima da sociedade” à “pedra humanizadora da segurança pública”.
Mas o povo — esse que vive o medo diário nas ruas — sabe bem que bala não se enfrenta com pedrada, e que o romantismo ideológico não para fuzil em comunidade nenhuma.
Conclusão: entre o Cômico e o Trágico
A fala da professora Jacqueline Muniz é mais que uma gafe: é o retrato de um país onde o bom senso foi aposentado por invalidez.
Num Brasil onde até o óbvio precisa de rodapé explicativo, afirmar que pedra vence fuzil é quase poesia de resistência — só que de resistência ao realismo.
Enquanto os especialistas teorizam, o cidadão comum continua se escondendo no chão durante tiroteios. E, ironicamente, talvez ali mesmo — deitado entre o medo e o asfalto — ele encontre a tal pedra salvadora da nação.
Mas até lá, continuamos falando sobre o assunto.
A coluna Falando Sobre o Assunto com o jornalista Edivaldo Santos analisa e traz informações sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política, da economia, do gospel e em tudo que acontece no Brasil e no mundo. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail veja.aquiagora@hotmail.com.