A policial militar e influenciadora digital Munique Busson respondeu publicamente às declarações da antropóloga Jacqueline Muniz, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), que criticou o uso de armas de fogo por agentes de segurança durante a Operação Contenção, realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. A especialista havia afirmado que os policiais poderiam ter usado “pedras” para conter criminosos do Comando Vermelho, o que gerou ampla reação nas redes sociais e dentro das corporações.
Durante entrevista à Rede Globo, Jacqueline Muniz comentou que o “fuzil tem baixo rendimento criminal” e sugeriu que criminosos armados poderiam ser neutralizados até mesmo com uma pedra. A fala causou indignação entre profissionais da segurança pública e foi vista como um desrespeito à realidade enfrentada pelos agentes em confrontos armados.
Em vídeo publicado na última sexta-feira (1º), Munique Busson, que atua há quase dez anos na Polícia Militar do Rio de Janeiro, rebateu com firmeza as declarações da professora e questionou sua qualificação prática na área.
“Você é especialista em segurança pública onde? Porque estudou? Venha fazer estágio prático com a gente”, afirmou a policial, que participou diretamente da operação.
Busson também destacou o orgulho de ter integrado a força-tarefa, lamentando apenas a morte de quatro colegas de farda.
“Não estou envergonhada, estou muito orgulhosa. Lamento, sim, pelas vidas que perdemos. Esses são as verdadeiras vítimas e inocentes”, disse.
Conhecida nas redes sociais por mostrar os bastidores do trabalho policial e debater temas de segurança, Munique soma milhares de seguidores no Instagram e TikTok, além de apresentar o podcast Papo Reto, voltado para temas da corporação.
A fala de Jacqueline também virou piada entre policiais. Em um vídeo que circula na internet, uma PM aparece usando um óculos de cabeça para baixo e diz em tom irônico: “Sou especialista em segurança pública. Pega uma pedra aí pra mim.”
Operação Contenção: o maior golpe contra o Comando Vermelho
A Operação Contenção, realizada na última terça-feira (28), foi considerada pelo governo do Rio o maior golpe já desferido contra o Comando Vermelho. O balanço divulgado pela Secretaria de Polícia Civil registrou:
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Mais de 1 tonelada de drogas apreendidas;
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91 fuzis, 29 pistolas e 14 explosivos recolhidos;
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113 presos, sendo 33 de outros estados;
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10 adolescentes detidos;
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180 mandados de busca e apreensão e 100 de prisão cumpridos;
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54 detidos já tinham passagem pela polícia.
Entre os 117 criminosos mortos, 99 já foram identificados — a maioria com histórico de crimes graves e mandados de prisão em aberto. Nove dos mortos ocupavam posições de liderança dentro da facção.
A operação também resultou na prisão de figuras importantes do tráfico, como Belão, aliado do líder Edgard Alves de Andrade (Doca), e Nicolas Fernandes Soares, apontado como operador financeiro do grupo.
Apesar da intensidade dos confrontos, não houve registro de mortes de civis. Quatro pessoas foram feridas por disparos, mas nenhuma em estado grave.
As declarações da professora Jacqueline Muniz geraram forte reação no meio policial, reacendendo o debate sobre o papel dos especialistas acadêmicos no tema da segurança pública. Enquanto isso, o governo do Rio classifica a Operação Contenção como uma das ações mais bem-sucedidas contra o tráfico de drogas no estado, reforçando o impacto da ofensiva na estrutura do Comando Vermelho.