O Hamas informou nesta sexta-feira (3) que aceita libertar parte dos reféns sequestrados nos ataques de 7 de outubro, atendendo a uma das exigências do plano de cessar-fogo elaborado pelos Estados Unidos e já aprovado por Israel. A medida surge após a pressão do presidente norte-americano Donald Trump, que havia dado prazo até domingo (5) para uma resposta, sob ameaça de fortes retaliações caso o grupo não se manifestasse.
Pressão internacional e impasse nas negociações
Apesar do anúncio, o posicionamento do Hamas não é considerado suficiente para confirmar a adesão integral ao acordo. Cerca de 50 dos 251 reféns seguem sob o poder da organização, e ainda não houve definição sobre os demais pontos do documento mediado por Washington.
O plano proposto por Trump reúne 20 diretrizes e foi elaborado com a participação de assessores próximos, como Steve Witkoff e Jared Kushner. Entre os principais pontos, destacam-se:
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cessar-fogo permanente em Gaza;
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libertação de todos os reféns, vivos ou mortos;
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soltura de prisioneiros palestinos por parte de Israel;
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devolução de restos mortais de habitantes da Faixa de Gaza;
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retirada gradual das tropas israelenses;
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desmilitarização completa do território.
Reconstrução e nova administração para Gaza
O acordo também prevê que Gaza não seja anexada por Israel e que o Hamas não participe do futuro governo local. Em contrapartida, combatentes que entregarem as armas teriam direito a anistia. A administração do território passaria a ser feita por um comitê de especialistas palestinos e técnicos internacionais, com caráter temporário e apolítico.
Esse comitê seria supervisionado pelo Conselho da Paz, órgão de transição internacional liderado por Donald Trump e composto por outras autoridades, como o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. A função seria coordenar recursos, garantir serviços básicos e preparar o terreno para a retomada da gestão pela Autoridade Palestina.
Ajuda humanitária e desenvolvimento econômico
Entre as medidas de impacto imediato estão a entrada de ajuda humanitária em larga escala, o fornecimento de energia, água, saúde e a reabertura de estradas. A distribuição seria conduzida por instituições internacionais, incluindo a ONU e o Crescente Vermelho.
No campo econômico, o plano prevê um projeto de revitalização de Gaza, inspirado em modelos de desenvolvimento do Oriente Médio, como Dubai. A proposta busca atrair investimentos externos, criar empregos e oferecer novas oportunidades à população local.
A sinalização do Hamas em liberar reféns representa um passo inicial, mas ainda distante da resolução completa do conflito. A aceitação total do plano norte-americano, que combina cessar-fogo, reconstrução e uma nova administração para Gaza, será decisiva para definir se a guerra terá, enfim, um desfecho.