De infância marcada pelo abandono e juventude mergulhada no mundo das drogas ao renascimento pessoal e profissional dentro de uma comunidade terapêutica. Essa é a história de Cleiton Henrique de Santana Monteiro, 40 anos, natural de Salvador, que hoje inspira outras pessoas como chefe de cozinha do Instituto Bambu, em Santo Estêvão (BA).
Um centro de acolhimento e esperança
Fundado pelo pastor Roberto Bambu e por sua esposa, a psicóloga doutora Inara, o Instituto Bambu nasceu com a missão de resgatar vidas e oferecer suporte integral a dependentes químicos e alcoólatras. Localizado na Fazenda Varginha, 1765, Sítio do Aragão, em Santo Estêvão (BA), o instituto se consolidou ao longo dos anos como um dos principais centros de recuperação do país, reconhecido pelo acolhimento humano e pela seriedade no tratamento.
Uma infância difícil e a queda no vício
Filho de Maria Luísa de Santana e José Rodrigues Monteiro, Cleiton não foi criado pelos pais. Viveu parte da infância com tios, avós e até pessoas desconhecidas, realidade que trouxe revolta e rebeldia. Ainda jovem, começou a frequentar festas e bares, experimentando álcool, cigarro, maconha e, mais tarde, a cocaína.
“Eu comecei a beber, depois a fumar e, por fim, conheci a cocaína. Foi um caminho de destruição. No início parecia uma vida boa, eu ganhava dinheiro, mas na verdade estava me afundando cada vez mais”, lembra Cleiton.
O envolvimento com o tráfico de drogas trouxe dinheiro fácil, mas também afastou o jovem da família. Em 2009, casou-se e no ano seguinte nasceu sua filha, Raiane. “Ela foi minha primeira luz, a razão para eu querer deixar as drogas. Mas as recaídas destruíram meu casamento. Eu já não estava presente nas festas da escola, nem nas reuniões de pais. Troquei minha família pelo vício”, conta.
O encontro com o Instituto Bambu
Afundado em angústia e uso desenfreado de cocaína, Cleiton chegou a pensar que não tinha mais saída. Até que, em 2015, após um surto, caminhou quilômetros pela BR até Santo Estêvão. Lá, encontrou a irmã de doutora Inara, que o abordou nas ruas da cidade e o levou para o Instituto Bambu.
“Cheguei de madrugada, por volta das duas da manhã. Nunca imaginei que dentro de uma instituição eu seria tratado com tanto carinho e atenção. Pela primeira vez na vida, me senti realmente acolhido”, recorda.
Assim que entrou, Cleiton foi convidado a trabalhar na cozinha do Instituto. “Eu nunca tinha cozinhado na vida, mas tive a oportunidade e me apaixonei. Fiz cursos em Salvador, trabalhei em alguns dos melhores restaurantes da cidade e encontrei uma profissão que me deu dignidade.”
Uma nova vida em abstinência
Após deixar a instituição em 2017, Cleiton permaneceu oito anos e meio em abstinência. Em determinado momento, reconheceu a necessidade de reforçar sua caminhada e decidiu voltar ao Instituto, desta vez como funcionário efetivo.
Hoje, ele é responsável pela cozinha, unindo técnica, experiência e, sobretudo, gratidão. “Sou muito grato ao pastor Roberto, à doutora Inara e a todos os colegas. O Instituto Bambu não apenas salvou a minha vida, mas me deu uma nova identidade. Hoje eu posso inspirar outras pessoas a acreditarem que a recuperação é possível.”
Exemplo de superação
De ex-usuário e traficante a chefe de cozinha de uma comunidade terapêutica, a história de Cleiton mostra que a dependência química não precisa ser uma sentença final. Com apoio, acolhimento e força de vontade, é possível reconstruir a vida.
“Espero que minha história inspire outras pessoas. Se eu consegui, qualquer um pode. Basta acreditar e dar o primeiro passo”, conclui Cleiton.