A Polícia Federal (PF) solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a instalação de uma equipe fixa de agentes dentro da residência do ex-presidente Jair Bolsonaro. O objetivo é reforçar a prisão domiciliar determinada no início de agosto, diante da avaliação de que o uso exclusivo de tornozeleira eletrônica não garantiria segurança contra uma eventual tentativa de fuga.
PF aponta falhas no monitoramento eletrônico
De acordo com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o sistema de monitoramento via tornozeleira depende de sinal de telefonia, o que o torna vulnerável a falhas técnicas e até mesmo a possíveis interferências externas. Ele destacou ainda que a eficácia do equipamento pressupõe que o investigado não tenha a intenção de descumprir as medidas judiciais, o que não seria suficiente no atual cenário.
Rodrigues afirmou que uma vigilância realmente efetiva exigiria controle de movimentação de veículos e vizinhança no entorno da casa de Bolsonaro, mas essa alternativa foi considerada de difícil execução e potencialmente constrangedora. Como solução, citou o caso do juiz Nicolau dos Santos Neto, que cumpriu prisão domiciliar sob fiscalização interna contínua de agentes federais.
A PF também informou que já iniciou diálogo com a Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN) para possível atuação conjunta, caso o STF aceite a proposta de reforço na segurança.
Pedido teve origem em denúncia de risco de fuga
O reforço na vigilância foi motivado por uma manifestação do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que apontou risco de fuga do ex-presidente. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto, por decisão de Moraes, após descumprir medidas cautelares anteriores, incluindo a proibição de usar redes sociais direta ou indiretamente.
Na última segunda-feira (25), Moraes solicitou posicionamento da Procuradoria-Geral da República (PGR), que defendeu a presença de equipes de prontidão em tempo integral para garantir monitoramento em tempo real.
Proximidade do julgamento aumenta pressão
Em nova decisão, Moraes ressaltou que a proximidade do julgamento da ação penal que apura a suposta tentativa de golpe de Estado aumenta o risco de fuga. O processo será analisado pela Primeira Turma do STF entre os dias 2 e 12 de setembro de 2025.
O ministro também destacou as ações do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que segundo ele, estaria atuando do exterior para interferir no andamento do caso, o que reforçaria a necessidade de medidas mais rígidas contra Jair Bolsonaro.
Na semana passada, Jair e Eduardo Bolsonaro foram indiciados pela Polícia Federal pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Segundo os investigadores, eles teriam buscado apoio do governo dos Estados Unidos para impor sanções contra o Brasil, numa tentativa de influenciar o julgamento.
O pedido da PF agora está sob análise do STF, que deverá decidir se autoriza a presença permanente de agentes federais na casa do ex-presidente. A medida é vista como um passo crucial diante da proximidade do julgamento que pode definir o futuro político e jurídico de Jair Bolsonaro.