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A polêmica dos vistos de Padilha e a seletiva indignação da política brasileira

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Nos últimos dias, uma notícia ganhou destaque na imprensa: os Estados Unidos suspenderam os vistos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, de sua esposa e da filha de apenas 10 anos. A decisão foi interpretada como uma punição direta ao ministro, acusado de ter sido um dos articuladores do programa Mais Médicos, apontado por críticos como uma forma de exploração e submissão de médicos cubanos em território brasileiro.

A reação da esquerda e de setores da mídia foi imediata. Acusaram os EUA e, indiretamente, Jair Bolsonaro, de covardia e crueldade por atingirem a filha do ministro, que agora não poderá mais visitar a Disney ou estudar no exterior. O próprio Padilha, em entrevista, afirmou estar “indignado” e classificou a medida como “covarde”. Gleisi Hoffmann, presidente do PT, engrossou o coro, defendendo o ministro e lembrando que o programa teria salvado vidas.

Mas é justamente nesse ponto que nasce a reflexão necessária: qual é o real conceito de crueldade?

Crueldade seletiva: quem merece empatia?

Quando se trata de restrições a viagens internacionais, a narrativa é de “opressão” e “perseguição política”. Mas a mesma comoção não se aplica às dezenas de famílias brasileiras que vivem dramas muito mais profundos: pais e mães presos, filhos órfãos de afeto, idosos em cárcere, jovens perseguidos por expressar suas opiniões.

Neste artigo reunimos casos de jornalistas, ativistas e cidadãos comuns que tiveram suas vidas destruídas por decisões judiciais controversas. Alan dos Santos, afastado da família; Daniel Silveira, preso e impedido de conviver com a filha; idosas como Adalgisa e Jucilene, encarceradas em condições humilhantes; jovens como Débora, mãe de família, condenada a mais de 10 anos de prisão; além de inúmeros exemplos de bloqueios de contas bancárias, apreensão de bens e perseguições que atingiram não apenas os acusados, mas também seus filhos e esposas.

Essas histórias, no entanto, não recebem espaço nas manchetes indignadas da grande mídia. Para muitos jornalistas e políticos, parece que a dor só merece repercussão quando atinge um aliado ideológico.

A contradição do discurso

É evidente que nenhuma criança deve ser responsabilizada por atos de seus pais. O desconforto da filha de Padilha, privada de viajar, é compreensível. No entanto, comparar esse episódio a casos em que crianças perderam o convívio diário com seus pais, que foram presos, perseguidos ou até mortos em situações questionáveis, beira a hipocrisia.

Se a comoção da esquerda fosse coerente, também se levantaria a voz contra o sofrimento dos filhos de jornalistas perseguidos, dos manifestantes presos, das famílias desestruturadas. Mas o silêncio diante dessas tragédias expõe a seletividade da indignação.

Reflexão final

O debate não é sobre defender um lado político, mas sobre reconhecer a incoerência de um sistema que escolhe quais dores devem ser amplificadas e quais devem ser ignoradas. A proibição de um visto pode ser incômoda, mas não se compara ao sofrimento de famílias que perderam seu direito mais básico: estar juntas.

Chamar de “covardia” o impedimento de uma viagem internacional enquanto tantas famílias enfrentam a verdadeira crueldade da separação, da prisão e da perseguição, é, no mínimo, desonesto.

Crueldade de verdade não é deixar de ir à Disney. Crueldade é destruir famílias.

Jornalista (CRP/BA 0006663/BA), radialista (DRT 5072/BA) e youtuber. Como jornalista já atua há 10 anos e atualmente é diretor de jornalismo do Portal Veja Aqui Agora . Desde 1984, atua no rádio, começando sua trajetória na Rádio Fundação Ide e Ensinai, em São Gonçalo dos Campos, na Bahia. Também trabalhou na Radio Cultura AM, Carioca AM, Betel FM, Cidade FM. Foi diretor da Comunidade FM, todas em Feira de Santana e atualmente trabalha na Rádio Elos, onde apresenta o Programa Bom Dia Felicidade, de segunda a sexta-feira, das 10h ao meio dia, também na mesma cidade. Também dirigiu a Rádio Shekiná FM em Vinhedo São Paulo e trabalhou como apresentador na Jerusalém FM na capital paulista. Como youtuber, administra os canais “Veja Aqui Agora News”, com mais de 160 mil assinantes e “Edivaldo Santos News” com mais de 15 mil assinantes. Para contato: vejaaqui.agora@hotmail.com

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