O jornalista e político Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), voltou a fazer duras críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e à atual condução do regime político no Brasil. Em declaração contundente, Pimenta afirmou que, no país, a soberania popular está sendo desrespeitada, e que o poder Judiciário estaria, de fato, acima da vontade do povo, configurando o que ele chama de uma “ditadura institucional”.
Rui, que tem formação pela Faculdade Cásper Líbero e histórico de militância desde os tempos da fundação do PT, enfatizou que, em uma democracia real, quem deve ter a palavra final são os eleitores. “Se a democracia tem algum sentido, é que o que vale é a vontade do povo. Democracia significa o governo do povo. Então o povo é que é soberano”, afirmou o líder do PCO.
Crítica à cassação de mandatos eleitos
Entre os pontos centrais da crítica de Rui está o questionamento sobre o papel do Judiciário na cassação de mandatos parlamentares. Ele citou como exemplo a deputada federal Carla Zambelli, que teve o mandato ameaçado por decisões judiciais, mesmo tendo sido eleita com mais de um milhão de votos. Para o dirigente, decisões como essa ferem diretamente a legitimidade das urnas e o princípio da soberania popular.
“Cassam o mandato de pessoas como se fosse uma brincadeira de criança. Cassar um milhão de votos? O que a Carla Zambelli fez pode ser ilegal? Então que se processe. Mas por que isso tem a ver com o mandato? O mandato foi dado pelo povo, não porque ela era a mais cumpridora das leis, e sim porque foi escolhida”, argumentou.
“Ditadura do STF”
Pimenta foi ainda mais incisivo ao afirmar que, longe de enfrentar o risco de um golpe de Estado por parte de Jair Bolsonaro, o Brasil já estaria vivendo um golpe consumado por meio do STF. Segundo ele, o episódio de 8 de janeiro, que gerou grande mobilização bolsonarista, teria sido usado como justificativa para o Supremo ampliar seus próprios poderes.
“A tese do golpe serviu para fortalecer a ditadura do STF. Eles passaram a ter poderes que nem a ditadura militar teve”, disparou.
Esquerda confusa e antifascismo “perverso”
Rui também criticou parte da esquerda brasileira, especialmente o que chamou de “esquerda pequeno-burguesa”, por apoiar ações do Judiciário contra Bolsonaro, acreditando que isso fortalece a democracia. Para ele, julgar o ex-presidente com base em processos frágeis apenas amplia o poder repressivo do Estado capitalista e não representa nenhum avanço democrático.
“A ameaça não é Bolsonaro dar um golpe. A ameaça é o golpe que o STF já deu. Não existe mais Constituição, não tem mais lei no país. Isso é uma ditadura. E o antifascismo, nesse contexto, é uma ideia confusa ou até perversa.”
As declarações de Rui Costa Pimenta acendem um debate polêmico sobre os limites do poder Judiciário e o papel da vontade popular no Brasil. Enquanto parte do espectro político vê as ações do STF como necessárias para conter ameaças autoritárias, o presidente do PCO alerta que o país pode estar caminhando para uma forma disfarçada de autoritarismo institucionalizado.