Quando se pensa em diplomacia, o que se espera de um presidente da República? Diálogo, ponderação e liderança responsável. Mas o que temos visto do atual governo brasileiro é um festival de ataques verbais, ironias e provocações que, em vez de fortalecer nossa soberania, colocam o Brasil em rota de colisão com a maior potência do planeta: os Estados Unidos.
Dizer ao presidente norte-americano — seja ele quem for — para “ir comer jabuticaba”, como fez Lula, não é apenas uma piada infeliz. É um tiro no pé da diplomacia brasileira, construída historicamente com equilíbrio e respeito internacional. O Brasil, que sempre foi visto como um mediador de conflitos, agora se arrisca a ser percebido como um provocador de disputas desnecessárias.
A diplomacia não é lugar para ironias
Ao contrário do que muitos podem pensar, não se trata de defender Trump, Biden ou qualquer outro líder estrangeiro. Trata-se de entender que a cadeira da Presidência da República exige postura. É necessário lembrar que o presidente representa mais de 200 milhões de brasileiros, e cada palavra dita em público tem peso internacional.
Chamar Trump de nazista, fascista, dizer que ele quer ser imperador do mundo e debochar de sua aparência ou de sua política, como Lula já fez em diversas ocasiões, não ajuda o Brasil em nada. Pelo contrário: prejudica relações comerciais, atrapalha negociações estratégicas e nos isola no cenário global.
Diálogo: o caminho que deu certo para outros líderes
A história recente mostra que líderes eficazes conseguem avanços com diálogo, mesmo diante de grandes tensões. Nelson Mandela, por exemplo, derrubou o apartheid e unificou a África do Sul dialogando com os próprios opressores. Angela Merkel manteve a Alemanha como potência europeia mesmo em meio a crises globais, apostando na moderação. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dialogava com presidentes dos EUA e da Europa sem jamais baixar a cabeça ou agredir. O ex-presidente Jair Bolsonaro, também já sentou a mesa com Trump, para resolver problemas em favor do Brasil. Esses líderes sabiam que não é com gritos, memes e provocações que se ganha respeito, mas com diálogo, equilíbrio e inteligência.
Quando a ideologia sobrepõe a diplomacia
Infelizmente, o que vemos hoje é uma política externa dominada por um grupo ideológico que não tem cargo, mas comanda nos bastidores. Celso Amorim, por exemplo, que sequer ocupa um ministério, é quem, de fato, dá as cartas. O Itamaraty, que já foi exemplo mundial de diplomacia, parece refém de um projeto político pessoal e não nacional.
Enquanto isso, países como a Argentina, enfrentando as mesmas sanções comerciais dos EUA, resolveram suas pendências com conversas e acordos. E o Brasil? Está com um abacaxi nas mãos por causa de declarações impensadas.
Liberdade de expressão, sim. Censura, não.
Outro ponto grave nessa crise Brasil-EUA diz respeito às plataformas digitais. Ao apoiar decisões do Supremo Tribunal Federal que dão às empresas privadas o poder de decidir o que deve ou não ser censurado, o Executivo se aproxima perigosamente de um autoritarismo disfarçado. Liberdade de expressão é um pilar da democracia — não é negociável. Transferir essa responsabilidade a empresas, sob pressão do governo, pode abrir portas para perseguições políticas e restrições injustas à população.
O Brasil precisa de estadistas, não de agitadores
O Brasil já viveu momentos tensos no cenário internacional. Já enfrentamos crises cambiais, guerras comerciais, ameaças diplomáticas. Mas sempre com serenidade e pragmatismo. Hoje, infelizmente, vivemos uma era em que o improviso e o deboche parecem substituir a estratégia e o bom senso.
É hora de lembrar que o mundo está assistindo. E cada palavra dita pelo presidente da República ecoa não apenas nos corredores do Planalto, mas nas bolsas internacionais, nos gabinetes diplomáticos e nos acordos bilionários que podem definir o futuro da nossa economia.
Se continuarmos transformando jabuticaba em abacaxi, o povo é quem pagará a conta.