Um crime bárbaro envolvendo um adolescente de apenas 14 anos abalou a cidade de Itaperuna, no interior do Rio de Janeiro. O jovem confessou ter matado o pai, a mãe e o irmão mais novo, de apenas 3 anos, e ainda tentou ocultar os corpos para despistar as autoridades.
A revelação do crime ocorreu dias após o garoto comunicar aos familiares o suposto desaparecimento dos pais e do irmão. De forma fria e sem demonstrar arrependimento, ele contou inicialmente que a criança havia se ferido ao ingerir cacos de vidro, o que teria motivado os pais a irem às pressas para um hospital — sem retorno desde então. Essa versão, no entanto, rapidamente começou a ruir.
Família “sumida” gera desconfiança
O desaparecimento da família gerou estranheza tanto nos familiares quanto nas autoridades. Nenhum hospital da região havia registrado a entrada dos pais com uma criança ferida. Durante as buscas, a Polícia Civil identificou manchas de sangue em pontos da residência incompatíveis com um acidente doméstico. Roupas ensanguentadas, inclusive parcialmente queimadas, foram encontradas no local, levantando suspeitas ainda mais graves.
A confissão e a frieza chocam os investigadores
Diante das evidências, o adolescente resolveu contar a verdade. Chamou um tio e fez a confissão que surpreendeu até os policiais mais experientes. Segundo ele, cometeu os assassinatos porque os pais não aceitavam seu relacionamento amoroso. O triplo homicídio foi cometido enquanto as vítimas dormiam, o que configura uso de recurso que impossibilitou a defesa delas.
“Ele falou com frieza, como se fosse algo comum. Disse que faria tudo de novo e que não se arrepende”, relatou um dos investigadores.
Possível motivação financeira entra na mira da polícia
Durante a investigação, foi descoberto que o jovem também pesquisava como sacar o FGTS de pessoas falecidas. O pai teria cerca de R$ 33 mil a receber, o que levanta a hipótese de uma possível motivação financeira por trás do crime. A polícia, no entanto, ainda apura se essa seria a principal causa ou se o assassinato foi movido unicamente por conflitos familiares.
Premeditação e articulação do crime
A suspeita de que o crime foi planejado ganhou força após a polícia constatar que o adolescente tomou atitudes para tentar esconder o triplo homicídio, além de simular uma história para enganar a família e os investigadores. As autoridades também não descartam a hipótese de que o menor possa ter recebido algum tipo de orientação ou estímulo externo.
“Um jovem com esse perfil pode, sim, manusear uma arma e agir de forma premeditada. A maturidade emocional não impede o planejamento de um crime desse porte”, explicou um especialista em segurança pública.
Acusação formal e prosseguimento das investigações
O adolescente está sendo responsabilizado por triplo homicídio duplamente qualificado: por impossibilitar a defesa das vítimas e pelo motivo considerado fútil. As investigações continuam para apurar se ele agiu sozinho ou se contou com ajuda.
O caso, que remete a outros crimes chocantes cometidos por jovens, como o de Marcelo Pesseghini, em São Paulo, deixa a população perplexa e reforça a necessidade de aprofundar o debate sobre saúde mental, estrutura familiar e violência entre menores.