Em participação no programa UOL News, o jurista e ex-desembargador Wálter Maierovitch fez duras críticas à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu a gravação da acareação entre o tenente-coronel Mauro Cid e o general Walter Braga Netto, realizada nesta terça-feira (24). Para o professor, a medida configura três graves problemas: “censura, ilegalidade e incoerência”.
A acareação é uma diligência complementar no processo que investiga a suposta tentativa de golpe de Estado, e foi solicitada em razão de divergências entre depoimentos dos envolvidos. A reabertura da instrução, segundo Maierovitch, é legítima e respaldada pela jurisprudência. “É uma atividade processual que se justifica justamente pelas contradições. A lei e a prática jurídica reconhecem isso. Então, por que agora Moraes impede o registro público?”, questiona.
Ao comentar a proibição da gravação, Maierovitch foi enfático: “O que o ministro fez foi tornar um processo público em secreto, e isso não se justifica. Trata-se de um caso gravíssimo que envolve tentativa de golpe, abolição do Estado Democrático de Direito e formação de organização criminosa. O povo tem o direito de saber”.
Ele destaca que a atitude do ministro rompe com o princípio da publicidade dos atos judiciais e, ainda, com a transparência necessária em julgamentos de alta relevância institucional. “É um absurdo. É coisa de ditador de toga. As pessoas têm o direito de ver como os réus se comportam frente a frente. Os gestos, hesitações e contradições são elementos fundamentais para a formação do convencimento do juiz”, afirmou.
Moraes pode ter criado base para nulidade, alerta Maierovitch
Durante o debate com a jornalista Fabiola Sidral, Maierovitch alertou que a postura do ministro pode abrir margem para a contestação da validade do processo. “A falta de publicidade pode levar a questionamentos sobre imparcialidade e dar brecha para se alegar nulidade. Isso é grave. A imparcialidade é um pilar da Justiça”, explicou.
Professor Wálter Maierovitch
A preocupação do jurista se confirmou pouco depois, quando foi revelado que a defesa de Felipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro e também réu no inquérito sobre a suposta trama golpista, já pediu a anulação do processo. Os advogados alegam que o Supremo atua como “juízo de exceção”, violando garantias constitucionais.
“Brasil escolheu caminho da transparência”
Maierovitch também comparou a prática brasileira à de outros países. “Na Alemanha e na Itália, não há acareação entre réus, por entenderem que fere o direito ao silêncio. Mas o Brasil adotou o caminho oposto: mais transparência, mais publicidade. Então o que Moraes fez vai contra essa lógica e até contra a evolução democrática do nosso sistema judicial”.
Ao final de sua participação, o professor ainda lamentou o silêncio dos demais ministros da Corte, citando especialmente Luiz Fux, que acompanha os casos da primeira turma. “É surpreendente que ninguém tenha contestado a decisão. Depois, reclamam quando juízes de instâncias inferiores soltam presos por vício processual”.
Jornalista (CRP/BA 0006663/BA), radialista (DRT 5072/BA) e youtuber. Como jornalista já atua há 10 anos e atualmente é diretor de jornalismo do Portal Veja Aqui Agora . Desde 1984, atua no rádio, começando sua trajetória na Rádio Fundação Ide e Ensinai, em São Gonçalo dos Campos, na Bahia. Também trabalhou na Radio Cultura AM, Carioca AM, Betel FM, Cidade FM. Foi diretor da Comunidade FM, todas em Feira de Santana e atualmente trabalha na Rádio Elos, onde apresenta o Programa Bom Dia Felicidade, de segunda a sexta-feira, das 10h ao meio dia, também na mesma cidade. Também dirigiu a Rádio Shekiná FM em Vinhedo São Paulo e trabalhou como apresentador na Jerusalém FM na capital paulista. Como youtuber, administra os canais “Veja Aqui Agora News”, com mais de 160 mil assinantes e “Edivaldo Santos News” com mais de 15 mil assinantes. Para contato: vejaaqui.agora@hotmail.com