Mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e obtidas pela Polícia Federal durante as investigações sobre o caso revelam uma relação de proximidade entre o empresário e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado Federal e do Congresso Nacional.
Os registros mostram conversas de caráter pessoal e referências a articulações envolvendo autoridades e integrantes do meio político. O conteúdo ganhou repercussão em setembro de 2026 e passou a integrar o contexto das discussões em torno do Banco Master.
Mensagens trocadas após eleição de Alcolumbre
Um dos diálogos destacados ocorreu em 1º de fevereiro de 2025, quando Davi Alcolumbre foi eleito novamente para presidir o Senado.
Vorcaro enviou uma mensagem parabenizando o parlamentar pelo novo mandato à frente da Casa. Na resposta, Alcolumbre agradeceu o que classificou como carinho e amizade fraterna, utilizando ainda uma referência de irmandade entre os dois.
Vorcaro, por sua vez, afirmou que estaria disponível para Alcolumbre em qualquer momento.
As mensagens foram interpretadas pelas reportagens que tiveram acesso ao conteúdo como evidência de uma relação pessoal próxima entre o empresário e o presidente do Senado.
Fábio Faria e os eventos do grupo de Vorcaro
Os registros também mencionam o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria em conversas relacionadas à organização de festas e encontros dos quais participariam autoridades e outras pessoas próximas ao círculo de Vorcaro.
Há referências a Alcolumbre nesse contexto, além de diálogos envolvendo outros integrantes da classe política.
Em abril de 2024, Vorcaro também teria financiado uma degustação de uísque Macallan em Londres, evento que reuniu nomes como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, segundo as informações apresentadas sobre as mensagens.
Conversas durante a negociação do Banco Master
Outro episódio citado ocorreu em julho de 2025, depois que o Banco Central não autorizou a venda do Banco Master para o BRB.
Naquele período, mensagens mostram Vorcaro buscando informações sobre uma reunião relacionada ao Banco Central. Em outro diálogo, o empresário questionou Alcolumbre sobre uma pessoa mencionada apenas como “nosso amigo”.
A resposta atribuída ao presidente do Senado foi de que estava acompanhando a situação e fazendo pressão.
As mensagens, porém, não apresentam, por si só, detalhes suficientes para esclarecer o resultado ou o conteúdo de eventuais reuniões mencionadas nos diálogos.
Proposta de delação e acusação de pagamento milionário
O caso ganhou outra dimensão em junho de 2026, quando foi divulgada uma informação atribuída à revista Veja sobre uma proposta de colaboração apresentada por Vorcaro à Justiça.
Segundo a reportagem, o empresário teria mencionado um suposto pagamento de US$ 30 milhões a Davi Alcolumbre. A proposta não foi aceita.
Alcolumbre negou as acusações e afirmou que as informações eram falsas. Portanto, a alegação sobre o suposto pagamento deve ser tratada como uma acusação atribuída a Vorcaro, e não como um fato comprovado.
CPI do Banco Master também entra no cenário
A relação entre Alcolumbre e o caso Master ganhou novo capítulo com a discussão sobre a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado.
Em 23 de setembro de 2026, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, negou uma liminar que buscava obrigar o Senado a instalar a CPI. Na decisão, Zanin afirmou que, naquele momento, não estavam comprovados elementos suficientes para caracterizar omissão de Alcolumbre na tramitação do requerimento. A decisão é provisória e pode ser reavaliada após novas informações.
As mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro acrescentam novos elementos ao debate sobre sua relação com Davi Alcolumbre. Os diálogos registram proximidade pessoal, contatos relacionados a encontros e conversas ocorridas em momentos importantes para o Banco Master.
Ao mesmo tempo, as mensagens e as acusações mencionadas nas reportagens precisam ser diferenciadas de fatos comprovados. O conteúdo dos diálogos revela contatos e declarações, mas não estabelece, por si só, a existência de irregularidades.
O caso continua sendo acompanhado pelas autoridades e permanece no centro das discussões envolvendo o Banco Master, o Congresso Nacional e diferentes personagens citados nas investigações.