A empresa 3Structure IT LTDA, mencionada em uma investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) sobre suposto tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, possui contratos firmados com órgãos do governo federal que, juntos, alcançam R$ 85,7 milhões.
Os acordos identificados têm como foco o fornecimento de soluções na área de tecnologia da informação. A maior parte das contratações ocorreu por meio de processos licitatórios, conforme registros disponíveis em bases oficiais como o Portal da Transparência, Comprasnet e Diário Oficial da União.
Contratos abrangem ministérios, Exército, Funasa e instituto ligado ao MEC
Fundada em 2019 e sediada em Florianópolis, a 3Structure IT assinou seu primeiro contrato com a administração federal em novembro de 2022. O acordo foi celebrado com o Centro Integrado de Telemática do Exército para ampliação da infraestrutura de armazenamento do sistema de telemática da instituição, por meio da implantação de soluções de backup e comunicação.
O contrato foi firmado inicialmente em R$ 21,8 milhões e recebeu posteriormente um aditivo de R$ 3,6 milhões, elevando o valor total do instrumento.
Durante o atual governo, a empresa ampliou sua participação em contratos públicos. O maior deles foi firmado com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, destinado à sustentação do ambiente analítico de dados da pasta, com valor acumulado superior a R$ 42 milhões.
Outro contrato com o mesmo ministério foi celebrado em abril deste ano, desta vez no montante de R$ 19,3 milhões, para implantação de uma nova solução de backup em substituição ao sistema anteriormente utilizado.
Além desses acordos, a empresa também mantém contratos com o Instituto Nacional de Educação de Surdos, ligado ao Ministério da Educação, no valor aproximado de R$ 178 mil, e com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), que soma cerca de R$ 2,5 milhões.
Em outubro de 2024, a Telebrás, estatal vinculada ao Ministério das Comunicações, também firmou contrato com a empresa, embora o valor do acordo não tenha sido divulgado.
Novo inquérito investiga suposto tráfico de influência
Paralelamente aos contratos firmados com órgãos públicos, a empresa passou a integrar uma investigação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A abertura de um segundo inquérito busca apurar suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha. Segundo as informações apresentadas, a investigação aponta possíveis irregularidades na relação entre o empresário e Cleber Ribas de Oliveira, sócio da 3Structure IT.
As apurações indicam que a empresa teria buscado oportunidades de negócios junto à Dataprev e outros órgãos da administração pública federal.
Além desse novo procedimento investigativo, Lulinha já responde a outra investigação que apura supostos crimes de corrupção e tráfico de influência relacionados ao Ministério da Saúde.
Defesa afirma não ter acesso à nova investigação
Após a autorização do novo inquérito, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha e coordena o grupo Prerrogativas, declarou que a defesa recebeu a notícia com tranquilidade. Segundo ele, até o momento não houve acesso aos autos referentes à nova investigação.
Enquanto as investigações da Polícia Federal avançam para esclarecer a relação entre Lulinha e a 3Structure IT, a empresa permanece com contratos relevantes junto à administração pública federal, totalizando R$ 85,7 milhões em acordos voltados à área de tecnologia da informação. As apurações deverão determinar se houve ou não irregularidades na obtenção desses negócios.