Mesmo após deixar a presidência do PL Mulher em meio a uma crise interna no Partido Liberal, Michelle Bolsonaro pretende continuar ativa no cenário político. A ex-primeira-dama comunicou a pessoas próximas que participará das campanhas de candidatas da legenda, utilizando sua imagem para fortalecer nomes femininos apoiados por ela nas eleições.
A estratégia inclui a gravação de vídeos e outras ações de campanha voltadas às mulheres do partido. Segundo informações repassadas ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, Michelle também pretende utilizar a estrutura partidária para colaborar com essas candidaturas.
Valdemar garante apoio à ex-primeira-dama
Ao comentar os planos de Michelle, Valdemar Costa Neto afirmou que dará todo o suporte necessário para sua atuação política. Segundo o dirigente, os recursos anteriormente destinados ao PL Mulher continuam disponíveis para iniciativas relacionadas ao fortalecimento das candidaturas femininas.
A movimentação acontece poucos dias após Michelle deixar oficialmente o comando do segmento feminino da legenda. Sua saída ocorreu depois do agravamento da crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do partido à Presidência da República. A tensão aumentou após a divulgação de um vídeo em que Michelle afirma ter sido maltratada e traída politicamente pelo enteado.
Com a saída da função, ela deixou de receber o salário vinculado ao cargo, perdeu sua equipe de assessores e viu a presidência do PL Mulher ser encerrada.
Futuro político segue indefinido, mas Senado permanece nos planos
Embora ainda não tenha oficializado sua pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, aliados afirmam que Michelle continua interessada em disputar uma vaga na chapa liderada pela governadora Celina Leão, que buscará a reeleição.
No comunicado em que anunciou sua saída do PL Mulher, Michelle declarou que passaria a dedicar mais tempo aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar em Brasília, além da filha Laura. Apesar disso, pessoas próximas afirmam que ela não pretende abandonar a atuação política.
Sua decisão de voltar a participar das campanhas é vista como um sinal de que continuará presente no processo eleitoral de 2026.
Apoio às mulheres do PL ganha importância estratégica
Durante sua gestão iniciada em 2023, Michelle trabalhou para ampliar a presença feminina dentro do Partido Liberal, incentivando a criação de lideranças em todos os estados brasileiros. O fortalecimento do PL Mulher também atendia ao interesse da legenda em ampliar o número de candidatas, contribuindo para o cumprimento da legislação eleitoral que estabelece um percentual mínimo de mulheres nas disputas.
Entre as candidatas que devem receber seu apoio está a vereadora Priscila Costa, de Fortaleza. Vice-presidente do PL Mulher, ela era cotada para disputar o Senado, mas acabou sendo direcionada para a corrida por uma vaga na Câmara dos Deputados.
Distanciamento da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro
Apesar de continuar engajada nas campanhas de candidatas do PL, Michelle tem sinalizado a aliados que não pretende participar da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Esse posicionamento ocorre em um momento delicado para a pré-campanha do senador, especialmente entre o eleitorado feminino. Pesquisas recentes apontam que esse segmento representa um dos maiores desafios para sua candidatura.
A ausência de Michelle e da senadora Damares Alves em um encontro promovido pelo PL com mulheres também foi interpretada como mais um reflexo do desgaste entre a ex-primeira-dama e o grupo político ligado a Flávio.
Atuação pode ampliar influência dentro do bolsonarismo
Caso consiga eleger um grupo significativo de candidatas apoiadas por ela, Michelle Bolsonaro poderá fortalecer sua posição política dentro do campo conservador. A formação de uma bancada alinhada à ex-primeira-dama ampliaria seu capital político em um momento de questionamentos internos sobre seu papel como liderança no movimento bolsonarista.
Mesmo diante das divergências internas, sua disposição em atuar diretamente nas campanhas femininas demonstra que Michelle pretende permanecer influente nas eleições de 2026, ainda que mantenha distância da principal candidatura presidencial do Partido Liberal.