A Polícia Federal passou a investigar a participação do senador Jaques Wagner (PT-BA) em assuntos relacionados ao Banco Master que tramitaram no Senado Federal. A apuração integra uma nova etapa da Operação Compliance Zero, que busca esclarecer possíveis relações entre agentes públicos e interesses do grupo econômico ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo informações presentes na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os investigadores identificaram indícios de contatos frequentes entre o parlamentar e pessoas ligadas ao banco. A suspeita é de que esses relacionamentos possam ter sido acompanhados de benefícios econômicos considerados indevidos.
Contatos e proposta envolvendo o Fundo Garantidor de Créditos
Entre os fatos analisados pela Polícia Federal está a tramitação de uma emenda apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). A proposta previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
De acordo com a investigação, no mesmo dia em que a emenda foi protocolada, Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, teria feito contato telefônico com Jaques Wagner e posteriormente encaminhado ao senador o conteúdo da proposta.
Os investigadores avaliam se houve participação ou influência do parlamentar em temas considerados estratégicos para o grupo econômico relacionado ao Banco Master.
Mensagens reforçam suspeitas da investigação
Outro elemento citado no processo envolve uma mensagem enviada por Augusto Ferreira Lima ao senador em março de 2025. Na comunicação, o empresário teria apresentado informações sobre a negociação de venda do Banco Master para o BRB.
Para a Polícia Federal, o teor da mensagem sugere que Wagner possuía um papel relevante nas discussões relacionadas aos interesses do grupo investigado, indo além de um simples receptor de informações.
Negociação imobiliária também está sob análise
A investigação também examina uma possível relação entre o senador e a negociação de um imóvel localizado no empreendimento Poéme Horto, em Salvador.
Segundo a decisão judicial, Jaques Wagner teria encaminhado a Augusto Ferreira Lima dados referentes ao apartamento, avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões. A PF busca verificar se a operação imobiliária possui ligação com eventuais vantagens concedidas ao parlamentar.
As autoridades apuram ainda se benefícios econômicos teriam sido direcionados ao senador de forma direta ou indireta, incluindo possíveis repasses por meio de familiares, pessoas próximas ou empresas relacionadas ao grupo investigado.
Investigação continua
De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que as negociações relacionadas ao imóvel teriam prosseguido mesmo após o início das diligências da primeira fase da Operação Compliance Zero.
As apurações seguem em andamento para determinar se houve favorecimento político ou recebimento de vantagens indevidas em troca da atuação em pautas de interesse do grupo econômico investigado.