Às vésperas da análise de seu nome na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, o atual ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, intensifica articulações políticas para garantir sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Mesmo após meses de negociações, ainda não conseguiu estabelecer diálogo com o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, considerado peça-chave no processo.
Articulação política e dificuldades no Senado
A sabatina de Messias está prevista para ocorrer na manhã desta quarta-feira (29), após um período de mais de quatro meses desde sua indicação. Durante esse tempo, o ministro buscou apoio direto de parlamentares, visitando cerca de 77 dos 81 senadores — incluindo integrantes da oposição.
Apesar desse esforço, um dos principais entraves continua sendo a ausência de diálogo com Alcolumbre, que não recebeu o indicado. O senador demonstrava preferência por outro nome, o de Rodrigo Pacheco, para ocupar a vaga deixada pela aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso.
Outro fator que pode ter ampliado a distância entre os dois foi a participação de Messias em um jantar promovido pelo senador Lucas Barreto, adversário político de Alcolumbre no Amapá. O evento reuniu 38 senadores que já declararam apoio ao nome do AGU.
Caminho até a sabatina
A indicação de Messias ao STF foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em novembro de 2025, mas o envio formal ao Senado ocorreu apenas em abril de 2026. O atraso foi influenciado por receios de rejeição e disputas internas no Legislativo.
Para avançar, o indicado precisa cumprir duas etapas:
- Obter maioria simples na CCJ
- Garantir ao menos 41 votos no plenário do Senado
Levantamentos indicam que Messias já conta com cerca de 47 votos favoráveis, embora aliados prevejam uma aprovação com margem apertada, semelhante à do ministro Flávio Dino.
Apoio do governo e mobilização final
Na reta final, o governo federal intensificou as articulações. O presidente Lula deve se reunir com o presidente da CCJ, Otto Alencar, e com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, para tratar da aprovação.
Paralelamente, interlocutores do ministro afirmam que o cenário atual é mais favorável do que no final de 2025, apesar da cautela ainda predominante.
Outro aspecto que chamou atenção nos bastidores foi a adoção de um jejum espiritual por parte de Messias, prática que, segundo aliados, tem como objetivo fortalecer sua fé durante o processo decisório.
Perfil e trajetória
Natural de Recife, Jorge Messias tem 46 anos, formação em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco e doutorado pela Universidade de Brasília. Ingressou na AGU em 2007 e ocupou funções estratégicas no governo da ex-presidente Dilma Rousseff.
Sua indicação ao STF também é interpretada como um gesto político voltado ao segmento evangélico, embora haja resistência dentro dessa própria bancada no Senado.
A indicação de Jorge Messias ao STF entra em sua fase decisiva cercada de articulações intensas, apoios consolidados e resistências pontuais. Mesmo com uma base de votos considerada suficiente, o cenário ainda exige cautela, e o resultado final dependerá da capacidade de alinhamento político nas próximas etapas no Senado.