As despesas do sistema de Justiça no Brasil registraram crescimento significativo recente. Dados divulgados pelo Tesouro Nacional indicam que os gastos do Judiciário aumentaram de forma expressiva entre 2023 e 2024, reforçando o peso da área no orçamento público e no Produto Interno Bruto (PIB).
De acordo com o relatório publicado em dezembro de 2025, o total destinado ao Judiciário alcançou R$ 181,5 bilhões em 2024, representando uma alta de 15,8% em relação ao ano anterior. Esse volume corresponde a 1,55% do PIB e equivale a 3,38% de todos os gastos realizados pela União, estados e municípios.
Os dados foram divulgados pela imprensa com base no levantamento do Tesouro, que utilizou números de 2024 para análise interna, mas recorreu a dados de 2023 para comparações internacionais. Isso ocorreu devido à defasagem nas informações fornecidas por diversos países, o que resultou na exclusão de grandes economias como Estados Unidos, China e Rússia, além de limitar a presença de nações da América Latina, com exceção da Colômbia.

Para organizar os dados, foi adotada a metodologia internacional conhecida como Classificação de Funções do Governo, utilizada pela OCDE. Esse modelo reúne diferentes estruturas dentro da função “ordem e segurança pública”, incluindo tribunais estaduais, regionais e superiores, além de segmentos como Justiça Eleitoral, Militar e do Trabalho, o Conselho Nacional de Justiça e o Supremo Tribunal Federal. Também entram na conta instituições que não pertencem diretamente ao Judiciário, como Ministério Público, Defensoria Pública da União e Advocacia-Geral da União.
No cenário global, o Brasil aparece entre os países que mais destinam recursos ao sistema de Justiça. Em 2021, liderou o ranking com 1,6% do PIB. Já em 2022 e 2023, ocupou a segunda posição, ficando atrás apenas de El Salvador. Em 2023, o país registrou 1,43% do PIB destinado à área, enquanto o líder marcou 1,45%.
Outro ponto de destaque é a concentração dos gastos em despesas com pessoal. Em 2024, os salários responderam por 77,9% do total, enquanto benefícios previdenciários e assistenciais representaram 1,7%. Somadas, essas despesas atingiram R$ 144,3 bilhões.
Um estudo da Plataforma Justa, que analisou a maior parte dos orçamentos estaduais voltados ao sistema de Justiça, revelou que R$ 93,2 bilhões foram destinados a tribunais, defensorias e Ministério Público. Desse total, 67% foram utilizados para pagamento de pessoal.
A pesquisa também apontou o uso de créditos adicionais para complementar despesas salariais. Cerca de R$ 4,7 bilhões foram direcionados a folhas de pagamento fora do planejamento inicial. Estados como Pará e Santa Catarina se destacaram, com aproximadamente um terço dessas despesas financiadas por esse mecanismo.
O aumento e a forma de financiamento desses gastos motivaram decisões recentes do Supremo Tribunal Federal. Em fevereiro, ministros determinaram a suspensão de pagamentos que ultrapassavam o teto do funcionalismo público. Posteriormente, a Corte estabeleceu limites para essas verbas, embora tenha permitido a manutenção de parte dos valores acima do teto, atualmente superior a R$ 46 mil.
O crescimento das despesas do Judiciário evidencia o peso crescente do sistema de Justiça nas contas públicas brasileiras. Com forte concentração em salários e questionamentos sobre mecanismos de financiamento, o tema ganha relevância no debate sobre equilíbrio fiscal e transparência. Além disso, a posição do Brasil entre os países que mais gastam na área reforça a necessidade de acompanhamento e discussão sobre a eficiência desses recursos.