O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu no Palácio do Planalto, em Brasília, o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, no início de dezembro de 2024. A reunião aconteceu semanas antes de o banco se tornar alvo de denúncias envolvendo o esquema de fraude financeira, posteriormente revelado ao público.
De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo, o encontro ocorreu no dia 4 de dezembro e teve a presença de autoridades do alto escalão do governo. Participaram da reunião o então diretor do Banco Central, Gabriel Galípolo, além dos ministros Rui Costa, da Casa Civil, e Alexandre Silveira, de Minas e Energia.
Daniel Vorcaro chegou ao Planalto acompanhado do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e do empresário Augusto Lima, que já foi sócio do Banco Master. Inicialmente, Mantega tinha um compromisso agendado com o chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Após essa agenda, foi solicitado um encontro direto com Lula.
Durante a conversa, Vorcaro teria manifestado insatisfação com a concentração do mercado bancário no país. Diante da colocação, o presidente afirmou que o tema deveria ser analisado pelo Banco Central e solicitou a Gabriel Galípolo uma avaliação técnica sobre a situação apresentada.
Registros oficiais indicam que o dono do Banco Master esteve no Palácio do Planalto em outras ocasiões. Pelo menos três entradas de Vorcaro constam nos registros da Secretaria de Relações Institucionais, demonstrando trânsito frequente junto ao governo federal.
O caso ganhou maior repercussão após a divulgação de vínculos do banqueiro com figuras políticas. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, foi citado em depoimento. Segundo Vorcaro, ambos conversaram sobre a possibilidade de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), negociação que acabou sendo impedida pelo Banco Central.
Além disso, o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, é apontado como alguém próximo ao empresário e teria participado de articulações relacionadas à tentativa de venda da instituição financeira.
As conexões de Vorcaro também alcançaram o Judiciário. Ministros do Supremo Tribunal Federal foram mencionados em apurações. Familiares do ministro Dias Toffoli foram associados a um fundo ligado ao banco, em um processo que tramita sob alto grau de sigilo. Já o ministro Alexandre de Moraes foi citado devido a um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa.
A reunião entre o presidente Lula e o dono do Banco Master, ocorrida antes da divulgação das suspeitas de fraude financeira, passou a ser analisada dentro de um contexto mais amplo de relações institucionais, políticas e empresariais. As revelações levantam questionamentos sobre a proximidade entre agentes públicos e empresários do setor financeiro, especialmente diante das investigações que envolvem o banco.