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Vorcaro está negociando delação premiada e isso pode derrubar um Republica

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Se Brasília tivesse termômetro moral, o mercúrio estaria em ebulição. A simples possibilidade — noticiada pela coluna de Lauro Jardim, em O Globo — de uma delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, já foi suficiente para produzir calafrios institucionais. Não se trata de boato de corredor: trata-se de uma hipótese “na mesa”, negociada, segundo a notícia, e comentada em vídeo por quem acompanha o caso de perto. E, como toda boa hipótese em Brasília, ela assusta menos pelo que revela e mais pelo que pode revelar.

Dizem — e aqui é preciso sublinhar o verbo — que, se Vorcaro resolver falar, não cai meia República. Cairia a República inteira. A frase é forte, dramática, quase exagerada. Quase. Porque, se confirmada a delação, o impacto prometido não seria apenas jurídico, mas simbólico: o fim de uma era de intocáveis, o abalo do chamado “coronelismo” no Supremo Tribunal Federal, essa estrutura invisível que muitos juram existir e poucos ousam enfrentar.

O roteiro, segundo o comentário em vídeo, não surgiu do nada. A Polícia Federal avançou para a segunda fase de uma operação que alcançou familiares do banqueiro. Quando o cerco se fecha, a delação costuma aparecer como saída de emergência. Pressiona daqui, aperta dali, e a proposta surge. A defesa, como manda o figurino, nega. Nega sempre. Mas a notícia insiste em circular — e, em Brasília, quando algo insiste, é porque incomoda.

O temor, ao que se comenta, não está apenas em contratos, cifras ou negócios “por cima e por debaixo do pano”. O medo maior estaria concentrado em algo aparentemente banal: um celular. Um aparelho que, dizem, guardaria registros comprometedores, encontros festivos, relações impróprias e uma intimidade que autoridades preferem manter longe dos autos — e dos holofotes. É o tipo de detalhe que não precisa ser provado para causar pânico; basta ser plausível.

Há ainda os números, sempre eles. Meio bilhão de reais gastos em um único ano com contratos e consultas jurídicas. Um volume capaz de “contratar metade do Brasil”, como ironizou um comentarista, entre advogados, conselheiros e personagens com trânsito no poder. Some-se a isso um contrato de R$ 129 milhões envolvendo familiar de ministro do Supremo — informação já amplamente mencionada no debate público — e o quadro ganha contornos de tragicomédia institucional.

Se a delação vier, afirmam os comentaristas, não será seletiva. Poderá atingir ministros por vínculos diretos ou por laços familiares, reacendendo discussões incômodas sobre conflitos de interesse, influência e a famosa caneta que tudo decide. Nomes conhecidos surgem nas especulações, não como condenação, mas como sintoma de um sistema que se acostumou a operar sem fiscalização social efetiva.

No fim das contas, a pergunta que fica não é se a delação vai acontecer — isso o tempo dirá —, mas por que a simples possibilidade dela causa tamanho tremor. Talvez porque revele o óbvio: quando a verdade depende do silêncio de um só homem, o problema não está apenas nele. Está no sistema que aprendeu a funcionar à base de acordos não escritos, favores cruzados e um respeito quase reverencial que nada tem a ver com a Constituição.

Quem sabe, como sugere a ironia inevitável, essa possível delação não seja a vassoura que muitos esperam. Não para “limpar o Brasil” — isso seria otimismo demais —, mas ao menos para abrir as janelas do Supremo Tribunal Federal. Porque, quando o ar fica pesado demais, até o poder mais alto precisa respirar.

Jornalista (CRP/BA 0006663/BA), radialista (DRT 5072/BA) e youtuber. Como jornalista já atua há 10 anos e atualmente é diretor de jornalismo do Portal Veja Aqui Agora . Desde 1984, atua no rádio, começando sua trajetória na Rádio Fundação Ide e Ensinai, em São Gonçalo dos Campos, na Bahia. Também trabalhou na Radio Cultura AM, Carioca AM, Betel FM, Cidade FM. Foi diretor da Comunidade FM, todas em Feira de Santana e atualmente trabalha na Rádio Elos, onde apresenta o Programa Bom Dia Felicidade, de segunda a sexta-feira, das 10h ao meio dia, também na mesma cidade. Também dirigiu a Rádio Shekiná FM em Vinhedo São Paulo e trabalhou como apresentador na Jerusalém FM na capital paulista. Como youtuber, administra os canais “Veja Aqui Agora News”, com mais de 160 mil assinantes e “Edivaldo Santos News” com mais de 15 mil assinantes. Para contato: vejaaqui.agora@hotmail.com

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