A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de transferir o ex-presidente Jair Bolsonaro para uma ala do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, provocou forte reação de parlamentares da oposição nesta quinta-feira (15). Deputados e senadores aliados classificaram a medida como excessiva e passaram a defender publicamente a substituição da custódia por prisão domiciliar.
A determinação judicial prevê a mudança do ex-presidente da Superintendência Regional da Polícia Federal para uma Sala de Estado-Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, situado no Complexo da Papuda, também conhecido como Papudinha. A transferência foi estabelecida no âmbito da Execução Penal 169.
Segundo o despacho, a nova unidade oferece espaço mais amplo, possibilidade de banho de sol em horário livre, atendimento médico contínuo, visitas em períodos ampliados e acompanhamento por junta médica oficial. Ainda assim, a decisão foi duramente criticada por lideranças políticas da oposição.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que a medida configura abuso de poder e descreveu o episódio como uma ruptura institucional. Para ele, a transferência representa punição política e demonstração de força desmedida do Judiciário.
No Senado, o líder da oposição Rogério Marinho (PL-RN) declarou, em nota, que o tratamento dado ao ex-presidente não corresponde à justiça, mas a um “justiçamento”. Ele argumentou que garantias fundamentais teriam sido desconsideradas e alertou que eventuais danos à saúde de Bolsonaro seriam responsabilidade direta do Estado.
Parlamentares como Cabo Gilberto Silva (PL-PB) e Sanderson (PL-RS) reforçaram o discurso de que a decisão extrapola limites legais, sustentando que o ex-presidente não representa risco e não teria condições físicas de permanecer em unidade prisional comum, em razão da idade e das comorbidades.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) elevou o tom ao afirmar que a situação configura violação de direitos humanos e anunciou que pretende levar o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, em Washington. Segundo ela, manter Bolsonaro na Papuda coloca sua integridade física em risco.
Outros parlamentares, como Nikolas Ferreira (PL-MG), Carlos Portinho (PL-RJ) e Rosângela Moro (União Brasil-SP), também se manifestaram. Embora alguns reconheçam que a nova instalação possa oferecer condições estruturais melhores, a pergunta central, segundo eles, permanece: por que não permitir o cumprimento da medida em casa?
A transferência de Jair Bolsonaro para a Papudinha intensificou o embate entre a oposição e o Supremo Tribunal Federal. Enquanto o STF sustenta que a decisão assegura melhores condições de custódia, aliados do ex-presidente veem na medida um gesto de endurecimento excessivo e reforçam a defesa da prisão domiciliar, citando idade, saúde e o histórico do ex-chefe do Executivo. O episódio amplia a tensão política e mantém o tema no centro do debate nacional.