O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a realização de novas diligências na residência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atendendo a um novo pedido apresentado pela Polícia Federal (PF). A decisão representa uma revisão parcial de um entendimento anterior, após a apresentação de argumentos adicionais tanto pela PF quanto pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo o despacho, a mudança de posicionamento ocorreu diante de indícios sobre a possível prática de novos ilícitos atribuídos ao investigado. A Polícia Federal destacou a necessidade de ampliar a coleta de provas, alegando que as buscas anteriormente autorizadas tinham um escopo mais limitado e que a nova fase da investigação exige uma abordagem mais abrangente.
Outro ponto considerado pelo ministro foi a atualização dos endereços relacionados ao investigado, o que, segundo ele, permitiu maior clareza quanto aos locais onde as diligências devem ser realizadas. A Procuradoria-Geral da República manifestou apoio à solicitação da PF, argumentando que uma busca anterior realizada no contexto da Operação Compliance Zero não contemplou de forma suficiente o conjunto de elementos que a investigação atual pretende analisar.
Ainda no âmbito do caso, Toffoli emitiu outro despacho no qual criticou a Polícia Federal por descumprimento de prazos estabelecidos na segunda fase da mesma operação. O ministro determinou que o diretor-geral da corporação apresente esclarecimentos em até 24 horas e decidiu que todo o material apreendido seja mantido sob guarda do STF, e não da PF, como normalmente ocorre.
Paralelamente, documentos e dados oficiais analisados indicam que empresas ligadas a familiares do ministro tiveram, até maio de 2025, participação societária de um fundo de investimentos que integra uma cadeia relacionada às fraudes investigadas no caso envolvendo o Banco Master. Esse fundo, embora não seja alvo direto das apurações, esteve conectado a outros veículos financeiros apontados pelo Banco Central como integrantes de uma suposta estrutura fraudulenta.
A administração desses fundos está vinculada à mesma gestora que atuava em estruturas financeiras associadas a Daniel Vorcaro e que também é investigada em outra operação, sob suspeita de lavagem de dinheiro para uma organização criminosa.
A defesa do ex-banqueiro negou qualquer irregularidade, rejeitando a existência de vínculos entre o banco, seus executivos e os fundos mencionados. Segundo os advogados, as conexões apontadas não correspondem à realidade e distorcem os fatos.
A autorização de novas buscas marca um avanço na investigação conduzida pela Polícia Federal, reforçada pelo apoio da Procuradoria-Geral da República. Ao mesmo tempo, o caso levanta questionamentos institucionais, tanto sobre a condução das apurações quanto sobre conexões indiretas envolvendo agentes e estruturas financeiras analisadas pelas autoridades. Até o momento da publicação, não houve manifestação do ministro Dias Toffoli, de seus familiares ou da administradora dos fundos citados.