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Escândalo Master: Influenciadores teriam sido aliciados para defender banco liquidado e atacar o Banco Central

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Uma complexa engrenagem de influência digital, contratos milionários e articulação política veio à tona após revelações da jornalista Malu Gaspar, da CBN. O foco da investigação é o escândalo envolvendo o Banco Master, liquidado pelo Banco Central, e uma suposta operação organizada para manipular a opinião pública, desacreditar instituições e tentar reverter a liquidação da instituição financeira.

No centro do caso está Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que chegou a ser preso, foi solto e atualmente cumpre prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.

Segundo a apuração jornalística, influenciadores digitais relataram ter recebido propostas para divulgar uma narrativa favorável ao Banco Master nas redes sociais. O discurso central defendia que a liquidação determinada pelo Banco Central teria sido precipitada, além de lançar suspeitas sobre a atuação do órgão regulador.

A estratégia incluía apoio público à decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), em especial a iniciativa do ministro Jonathan de Jesus, que chegou a autorizar uma inspeção no processo de liquidação — movimento que, nos bastidores, foi apelidado de “desliquidação”.

Os influenciadores procurados deveriam gravar vídeos e publicar conteúdos questionando o Banco Central, sugerindo que haveria interesses ocultos na liquidação do banco. O objetivo, segundo Malu Gaspar, não era técnico, mas sim criar uma sensação artificial de apoio popular para justificar decisões institucionais favoráveis à defesa de Vorcaro.

Contratos milionários e operação organizada

Os contratos oferecidos chamam atenção pelos valores. Influenciadores com mais de 1 milhão de seguidores poderiam receber milhões de reais por três meses de trabalho. Já perfis com cerca de 500 mil seguidores teriam propostas na faixa de R$ 250 mil a R$ 300 mil pelo mesmo período.

As exigências incluíam:

  • Publicação de oito conteúdos por mês, preferencialmente vídeos

  • Foco principal no Instagram

  • Cumprimento de um acordo de confidencialidade

  • Uso de um roteiro previamente definido

A operação recebeu o nome de “Projeto DV”, referência direta às iniciais de Daniel Vorcaro, o que reforça a ligação direta da campanha com a defesa do banqueiro.

Quem estava por trás da campanha

As negociações teriam sido intermediadas por agentes ligados à empresa Miranda Comunicação, comandada pelo empresário Thiago Miranda, sócio do portal Leo Dias. O outro sócio do grupo é Flávio Carneiro. Ambos são apontados no mercado como próximos de Daniel Vorcaro.

De acordo com a apuração, há comprovação de pagamentos, inclusive depósitos antecipados, feitos a alguns influenciadores. Embora alguns tenham recusado as propostas, os registros das abordagens ajudam a fechar o circuito da operação.

Fraude bilionária e reação das instituições

O pano de fundo do caso é ainda mais grave: a existência de uma fraude estimada em R$ 12 bilhões, investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Mesmo diante desse cenário, campanhas digitais passaram a atacar o Banco Central, o TCU e o próprio jornalismo.

A discussão chegou ao Supremo Tribunal Federal, onde o ministro Dias Toffoli convocou reuniões para apurar como ocorreu a liquidação e a compra de créditos fraudulentos por outras instituições.

Após a divulgação das reportagens, o TCU recuou e desistiu de seguir com a inspeção no Banco Central — movimento interpretado como consequência direta da exposição pública da estratégia.

O caso do Banco Master escancara como milícias digitais e campanhas de influência não atuam apenas na política, mas também em escândalos de grande interesse econômico. O objetivo, segundo Malu Gaspar, é claro: desacreditar o jornalismo, atacar instituições e confundir a opinião pública.

As revelações reforçam o papel central do jornalismo investigativo. Sem a divulgação desses fatos, estratégias articuladas nos bastidores poderiam ter sido bem-sucedidas, inclusive com a devolução do controle do banco ao seu antigo dono.

O escândalo Master se consolida, assim, como um alerta sobre os riscos da manipulação digital em decisões que envolvem bilhões de reais e a estabilidade do sistema financeiro.

Jornalista (CRP/BA 0006663/BA), radialista (DRT 5072/BA) e youtuber. Como jornalista já atua há 10 anos e atualmente é diretor de jornalismo do Portal Veja Aqui Agora . Desde 1984, atua no rádio, começando sua trajetória na Rádio Fundação Ide e Ensinai, em São Gonçalo dos Campos, na Bahia. Também trabalhou na Radio Cultura AM, Carioca AM, Betel FM, Cidade FM. Foi diretor da Comunidade FM, todas em Feira de Santana e atualmente trabalha na Rádio Elos, onde apresenta o Programa Bom Dia Felicidade, de segunda a sexta-feira, das 10h ao meio dia, também na mesma cidade. Também dirigiu a Rádio Shekiná FM em Vinhedo São Paulo e trabalhou como apresentador na Jerusalém FM na capital paulista. Como youtuber, administra os canais “Veja Aqui Agora News”, com mais de 160 mil assinantes e “Edivaldo Santos News” com mais de 15 mil assinantes. Para contato: vejaaqui.agora@hotmail.com

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