Há momentos em que o jornalismo escorrega. Em outros, cai da cama. Mas há casos em que não cai: se joga mesmo, de propósito, no abismo da falta de humanidade. Foi exatamente isso que assistimos na forma fria, sarcástica e debochada com que a jornalista Daniela Lima, hoje no UOL, tratou a notícia sobre a queda e o traumatismo craniano sofrido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Antes que alguém tente relativizar: não se trata de gostar ou não de Bolsonaro. Trata-se de algo bem mais básico — e mais raro ultimamente em certos círculos da imprensa — chamado empatia. Saúde não é piada. Acidente não é sketch. Trauma craniano não é bordão irônico para animar bancada de programa.
Quando uma jornalista transforma um fato clínico sério em chacota, algo está profundamente errado. Não com a notícia, mas com quem a narra.
O telespectador não liga a TV ou acessa um canal de notícias para assistir a um stand-up ideológico. Espera informação, contexto, sobriedade. Espera jornalismo. O que recebeu foi militância travestida de comentário, com risadinhas, ironia barata e aquela velha sensação de “torcida organizada” que tomou conta de parte da mídia brasileira.
E aqui está o ponto central: jornalismo não é palanque. Não é lugar para extravasar ódio político, muito menos para ridicularizar o sofrimento alheio — venha ele de quem vier. Hoje é Bolsonaro. Amanhã, quem será o alvo conveniente da vez?
O deboche revela mais sobre quem fala do que sobre quem é alvo. Revela um viés que contamina a notícia, rebaixa o debate público e compromete a credibilidade profissional. Quando o sarcasmo substitui a apuração e a ironia ocupa o lugar da ética, não estamos mais diante de jornalismo, mas de militância disfarçada.
E não é de hoje. A trajetória fala por si. Passagens por grandes veículos, demissões, memes constrangedores, promessas políticas travestidas de análise, discursos alinhados com o poder da vez. Sempre o mesmo roteiro: menos jornalismo, mais ativismo. Menos fatos, mais torcida.
O resultado está aí. Hoje, abrigada em um ambiente editorial claramente militante, a jornalista parece confortável em abandonar de vez qualquer verniz de imparcialidade. O problema não é ter opinião — todos temos. O problema é não saber separar opinião de informação, deboche de análise, ideologia de humanidade.
A reação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro sobre o caso, foi direta e precisa. Uma palavra bastou: asqueroso. Dura, sim. Mas adequada diante de uma fala que causa indignação e repulsa em qualquer pessoa minimamente comprometida com valores humanos básicos.
No fim das contas, fica o alerta — não para Daniela Lima, mas para quem ainda acredita que isso é jornalismo. Não é. É militância. E da pior espécie: aquela que bajula o poder, despreza o contraditório e ri da dor alheia.
Nota zero para o tom. Nota zero para a ética.
E um recado claro ao público: informação não combina com deboche. Daniela Lima, jornalismo sem humanidade não é jornalismo — é lama.
A coluna Falando Sobre o Assunto com o jornalista Edivaldo Santos analisa e traz informações sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política, da economia, do gospel e em tudo que acontece no Brasil e no mundo. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail veja.aquiagora@hotmail.com.