A Polícia Federal concluiu, na noite de terça-feira (30), uma acareação entre Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). O procedimento foi realizado no Supremo Tribunal Federal (STF) após divergências identificadas nos depoimentos prestados por ambos no mesmo dia, no âmbito das investigações que apuram suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo a instituição privada.
As oitivas tiveram início por volta das 14h e se estenderam até a noite. Daniel Vorcaro foi ouvido por aproximadamente três horas, enquanto Paulo Henrique Costa prestou depoimento na sequência. Ao final, diante das contradições detectadas entre as versões apresentadas, a Polícia Federal decidiu promover a acareação, que durou menos de uma hora e foi encerrada por volta das 21h30. Todo o procedimento ocorreu presencialmente nas dependências do STF.
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, também prestou esclarecimentos à PF, mas foi dispensado do confronto direto entre os investigados. Os trabalhos foram acompanhados por um representante do Ministério Público Federal e por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli. A condução das oitivas e da acareação ficou sob responsabilidade da delegada Janaína Palazzo, que lidera a investigação.
Inicialmente, o ministro Dias Toffoli havia determinado a realização imediata da acareação. No entanto, a decisão foi revista, permitindo que os depoimentos individuais fossem colhidos antes da definição sobre a necessidade do confronto entre os investigados.
As investigações tiveram início em 2024, após solicitação do MPF para apurar indícios de criação de carteiras de crédito sem lastro financeiro. Segundo a Polícia Federal, o Banco Master não teria capacidade financeira para honrar títulos com vencimento previsto para 2025.
A apuração também envolve a tentativa de venda do Banco Master ao BRB, operação anunciada em março e barrada pelo Banco Central em setembro, após falhas identificadas na análise técnica. Conforme as investigações, o Master teria adquirido créditos sem efetuar os pagamentos correspondentes e, posteriormente, repassado esses ativos ao BRB, que teria desembolsado cerca de R$ 12 bilhões.
Em novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, apontando a existência de operações fraudulentas. No mesmo dia, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero, resultando na prisão de Daniel Vorcaro e de outros dirigentes da instituição. O empresário permaneceu preso preventivamente entre os dias 17 e 29 de novembro, sendo liberado com medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e retenção do passaporte.
O processo, que tramitava inicialmente na Justiça Federal, foi encaminhado ao STF após a identificação de um documento que mencionava um deputado federal. Com isso, Dias Toffoli assumiu a relatoria do caso e determinou o sigilo das investigações. Paralelamente, a liquidação do Banco Master passou a ser analisada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
A acareação marca um novo avanço nas investigações sobre as suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e sua tentativa de negociação com o BRB. O caso segue sob sigilo no STF e continua sendo acompanhado por diferentes órgãos de controle, incluindo o Banco Central, o Ministério Público Federal e o TCU.