O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes voltou ao centro de uma controvérsia política e institucional após vir à tona o caso envolvendo o Banco Master. Mais do que as suspeitas em si, um elemento se destaca na análise feita pela jornalista Mônica Bergamo: o silêncio reiterado do ministro, prática que, segundo ela, acabou contribuindo para a escalada da crise e para o aumento das desconfianças.
Em Brasília, rumores sobre um suposto interesse de Alexandre de Moraes em temas ligados ao Banco Master circulavam havia meses. Fontes políticas relatavam que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, teria informado o presidente Lula sobre pressões relacionadas ao assunto. O problema central, no entanto, sempre foi o mesmo: não há provas documentais das conversas, apenas relatos e bastidores.
Diante disso, a postura adotada por Moraes chamou atenção. Como destacou Mônica Bergamo, o ministro tem um histórico de não responder questionamentos da imprensa, orientando sua assessoria a simplesmente “ignorar” pedidos de esclarecimento. Essa estratégia, que já se repetiu em outras ocasiões, acabou se tornando um fator decisivo para o desgaste atual.
“É óbvio que o ministro (ALEXANDRE DE MORAES) não gosta de prestar esclarecimentos. Todas as vezes que você envia algum questionamento a ele via assessoria do Supremo, a resposta é, ele disse que vai ignorar, ignora, ele não vai comentar, ignorar, ele mandou ignorar” disse a jornalista.
O silêncio, segundo a análise, passou a funcionar como um elemento de confirmação indireta. Sem respostas oficiais, as versões passaram a circular livremente, ganhando força em redações, entre empresários e no meio político. Até mesmo aliados e advogados que cogitavam defendê-lo ficaram sem argumentos, já que não havia explicações públicas às quais se apegar.
A situação se agravou ainda mais com a revelação de um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e Viviane Barsi de Moraes, esposa do ministro. Embora Alexandre de Moraes tenha afirmado que ela não atuou no Banco Central nem na operação envolvendo o banco, permanecem perguntas sem resposta:
– Para quais serviços o contrato foi firmado?
– Quais petições foram assinadas?
– Qual era o modelo de remuneração previsto?
Para Mônica Bergamo, é justamente esse ponto que lança uma sombra mais pesada sobre o caso. Não se trata apenas de legalidade formal, mas de transparência e conflito de interesses, especialmente quando envolve a família direta de um dos ministros da mais alta Corte do país.
Somente quando a crise atingiu um nível elevado, Moraes recuou parcialmente e divulgou notas oficiais. Nelas, afirmou que:
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Teve apenas duas reuniões presenciais com Galípolo, em seu gabinete;
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Os encontros trataram exclusivamente da Lei Magnitsky;
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Nunca houve ligações telefônicas entre ambos;
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Sua esposa não atuou na operação BRB–Master junto ao Banco Central.
Apesar disso, a análise aponta que as notas foram vistas como reativas e incompletas, mais voltadas a negar acusações pontuais do que a esclarecer o conjunto da situação.
O caso Banco Master expôs um problema que vai além de eventuais telefonemas ou reuniões: a postura institucional de Alexandre de Moraes diante de questionamentos públicos. Como ressaltou Mônica Bergamo, o ministro “não gosta de prestar esclarecimentos”, mas, neste episódio, o silêncio acabou se tornando um adversário.
Em cargos de tamanha relevância, especialmente no Supremo Tribunal Federal, transparência não é favor, é dever institucional. Enquanto perguntas básicas permanecerem sem resposta — especialmente sobre o contrato milionário envolvendo sua esposa — o ruído político e a desconfiança pública tendem a continuar.
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